#21 – sobre os beijos indesejados e a invasão da “bolha pessoal”

dia 21

Lembro-me uma vez quando era pequena e conheci um amigo do meu pai e não lhe quis dar um beijinho e foi todo um drama. O meu pai fez queixinhas à minha mãe e a minha mãe disse que eu dava beijinhos a quem eu quisesse. É normal exigir das crianças que dêem beijinhos a toda a gente, que sejam íntimos com pessoas que não conhecem de lado nenhum, é algo que me faz alguma confusão. Nunca gosto de estar envolvido nesta obrigatoriedade destes beijinhos, se uma criança não quer, não quer.  Desde esse momento que sempre me interroguei porque é que tenho que dar beijos a pessoas a quem não os quero dar, mesmo na família, há pessoas com as quais por algum motivo não sentimos tanta intimidade ou naquele dia não nos apetece andar a espalhar beijos. Acho que isso não deve ser visto como uma falta de educação e deve ser respeitada, tal como os adultos as crianças devem ter liberdade na escolha das expressões de afecto e nas pessoas com quem escolhem fazê-lo.  Tudo isto assume novas proporções no mundo dos adultos, sobretudo no âmbito profissional. Tudo começa porque as mulheres têm que dar beijos e para […]

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#20 – parem de queimar pontes, por favor

dia 20

No Domingo foi a minha bênção de finalistas, que de bênção tem francamente pouco. E enquanto esperava que começasse, debaixo de um sol ardente, fui refletindo sobre algumas coisas. Assim que entrámos no recinto (bastante atrasados) fomos para o nosso lugar e quando passou aquela confusão inicial de tomarmos os nossos lugares, paro e escuto a música. Não queria acreditar. Os cânticos que decidiram escolher para uma cerimónia dirigida a um público dos 20 aos 30 anos, foram as músicas que as velhinhas que estão a 30 anos no coro da igreja cantam, normalmente com voz esganiçada (que quase ninguém tem voz para aquilo). Não queria acreditar. Enquanto isso, um rapaz insistia em gritar, urrar e gozar com a música. Relativamente à música tive que lhe dar alguma razão, eu própria não queria acreditar. Sobre o resto vou deixar para outro post, para não nos perdermos no assunto. Mas porque é que eu não queria acreditar? De tanto cântico de grupos de jovens, paróquias, escuteiros. De tantas músicas leves, mas com significado que existem, com melodias interessantes e que normalmente são bem recebidas pelos jovens. Vão escolher músicas pesadíssimas, que nada vão dizer a não crentes, cantadas em tons agudos […]

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#19 – porque é que uma relação “já não é o que era” está apenas a começar

dia 19

Uma das séries que tenho acompanhado é a Clínica Privada. Estou algures entre o meio e o fim da segunda temporada e uma das relações entre os personagens “já não é o que era”. Ouvem-se frases do tipo “somos muito diferentes” ou “já não sinto o que sentia”. Por alguma razão, isto parece significar que a relação está para terminar a qualquer momento. E isto fez-me pensar. Também a minha relação com o Miguel passou por momentos em “já não é o que era”, também nós fomos descobrindo diferenças e houve (há) momentos em que parece que temos mais diferenças que semelhanças. Acho que ambos já pensámos em terminar a relação (aliás terminámos uma vez no início, eu escrevi sobre isso aqui). Mas acabámos por continuar sempre juntos. Porque somos duas pessoas incríveis? Duvido. Porque o nosso amor é mega especial/de conto de fadas/de um filme? Também não. Porque somos de psicologia? Ok, aqui acho que isso pode ajudar, mas muitas vezes só piora. Então, porquê? Acho que é sobretudo a forma como vemos o que é estar numa relação. Naquele primeiro momento, em que é tudo fantástico e maravilhoso, em que o nosso mais que tudo brilha e o […]

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#18 – quando gostas de teoria, num mundo que só gosta de prática

dia 18

Este é o meu drama mais recente desde que comecei a pensar em seguir a área de investigação. Sempre gostei de teoria, mas sempre pensei que iria aplicá-la à prática. Como qualquer pessoa que gosta de teoria, consigo fazer mil aplicações e ligações à prática, mais não consigo ver a prática sem teoria e para mim prática sem teoria é algo que não sentido. Se no início ainda me esforçava por demonstrar a aplicação prática e a utilidade, passados alguns meses, vencida pelo cansaço, limito-me a deixar os outros ficarem com a ideia de que o que eu faço é irrelevante. Gasto menos as minhas cordas vocais e no fim as pessoas ficam com a mesma ideia. Sempre fui uma criança e aluna dos porquês. Não me chega saber que a terra é redonda, eu quero saber o porquê. Não me chega saber que nós temos uma tendência para estereotipar, eu quero saber porquê e como. Não me chega saber que me tenho que atirar para fazer um rolo, eu quero perceber minimamente a física do movimento, pior enquanto não perceber qual é a lógica não o vou conseguir fazer. O mesmo com o yoga, com a cozinha, etc, etc. […]

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#17 – quando o cansaço se acumula

post 17

A última semana foi cheia de eventos, entregas, consultas e tudo mais. Já tinha começado a semana com pouca energia (porque estava cheia de alergias) e acabei-a (na bênção de finalistas) completamente de rastos. Não, não fui à semana académica, nem sequer fiz nenhuma directa, o mínimo que dormi foram 5 horas, mas a verdade é que acabei a semana no meu limite. Normalmente, costumo achar que tenho um limiar muito baixo de cansaço. Deitar-me depois das 23h é difícil e depois da 0h30 é um preditor de uma noite mal dormida e de um sono que se adivinha insuficiente. É verdade que também gosto de acordar cedo: para mim acordar depois das 9h é tarde e significa má disposição para o resto do dia. Quando não consigo descansar umas 7h30/8h por noite e começo a deitar-me com frequência depois da 0h tudo começa a descambar. Tudo pior se não conseguir dormir até mais tarde ou tirar um dia para descansar. Tudo isto se combinou na semana passada: segunda deitei-me às 3h da manhã para entregar a revisão da literatura, terça tive uma consulta de manhã; a precisar de recuperar energias tive três jantares nas noites seguintes, uma entrevista de […]

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#16 – o drama da tese

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Não, isto não é um post, de uma pessoa que acha que é uma estupidez termos que escrever uma tese e que odeia tudo o que seja ler artigos e fazer investigações. Pelo contrário, sempre adorei a área de investigação (aliás vou-me candidatar a um doutoramento em Setembro) e por isso sempre achei que ia ser super simples para mim fazer a minha tese. Durante o meu curso, sempre fizemos vários projectos de investigação, por isso sempre olhei para a tese, como mais um trabalho. E como adoro investigação, sempre achei que seria algo relativamente fácil e que teria prazer em fazer. Acho que a maior lição que aprendi, é que a tese é muito mais do que a tese. É metade dos créditos de um ano, é dos poucos trabalhos que fazemos sozinho, é um trabalho com um prazo super alargado, é o primeiro trabalho onde investimos realmente muito e é o nosso bebé. E é um bebé que dá muitas dores de cabeça. Não podemos e não queremos fazer qualquer coisa só para entregar. O tempo que inicialmente prevemos gastar estende-se e com um prazo longínquo (normalmente de um ano), é difícil ter o auto-controle para terminar rápido. […]

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#15 – porque é que as entrevistas nunca correm bem?

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Até hoje não fiz muitas entrevistas (quer dizer, como entrevistadora até já fiz algumas), como entrevistada foram talvez 5, nenhuma delas para um trabalho pago e só uma para um estágio curricular. Fiz algumas para programas de voluntariado e hoje fiz uma para uma pós-graduação a que me candidatei. Até chegar ao 5º ano da faculdade (o ano em que estou agora), as entrevistas sempre foram uma coisa simples para mim. Muitas dela nem sequer eram entrevistas de selecção, eram entrevistas só para verificar se havia um match e mesmo as de selecção, cheguei lá disse o que tinha a dizer, respondi com honestidade e um sorriso e vim-me embora. Fui sempre chamada a seguir por isso tinha a percepção de que até tinha jeito para a coisa. Com o aproximar da vida profissional, as entrevistas começaram a deixar-me nervosa. Uma parte do meu curso é o Recrutamento e Selecção. Sei perfeitamente que quem está a recrutar não está ali para nos “lixar”, só queremos conhecer os candidatos. Nem sequer temos interesse em saber quem é o melhor, mas sim qual é o que se ajusta melhor ao lugar. Não se procuram génios, é algo muito mais abstracto, procuram-se pessoas com […]

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#14 – O que é que um blogger pode aprender com a vitória do Salvador Sobral? (ou qualquer que pessoa que tenha um público)

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Quando comecei a planear o blog, fartei-me de ler artigos sobre como escrever posts, o que escrever no blog, como cativar os leitores, como não entediar os leitores, como fazer que eles regressem, etc, etc. Num mundo cheio de informação e estímulos é difícil conseguir a atenção das pessoas e todos nós queremos ter uma voz. A maior parte das pessoas não quer escrever um blog, para que ninguém o leia e a partir daí há muita coisa que acontece e muita coisa que não devia acontecer. Se é verdade que li muitos textos sobre a forma como cativar os leitores, li uma vez um texto que achei incrível no Medium que falava sobre a maneira como hoje em dia os textos têm que ser curtos e cheios de estímulos, com títulos apelativos e ideias simples e como a verdadeira escrita e a verdadeira leitura se estão a perder. É fantástico que os nossos textos cheguem a qualquer pessoa e que até as pessoas com grandes défices de atenção os consigam ler até ao fim. Mas a que custo? Esse texto mudou a minha maneira de ver as coisas. Percebi que provavelmente não era a única que fazia um esforço enorme […]

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#13 Dois meetups que valem a pena em Lisboa

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Falo-vos de dois, não porque conheça imensos e só ache dois bons. Mas porque até agora só fui a estes dois e valem mesmo a pena. Ambos são gratuitos e reunem uma comunidade diversa de pessoas à volta de um tema que todos os presentes adoram. O meetup é um site onde se podem agendar encontros entre pessoas sobre os mais diversos temas, desde culinária, a código, passando por concertos e desporto. Explorem o site, pesquisem um pouco, há eventos para todos os gostos e muitos são gratuitos. Deixo-vos os meus dois preferidos até agora (os dois que encontrei e comecei a ir e que acho que valem a pena). Se entretanto encontrar mais alguns que valham a pena, atualizo este post. Os bilhetes são gratuitos e esgotam rápido, por isso convém estarem atentos e inscreverem-se depressa. Se não poderem ir, é importante também que avisem os organizadores, porque normalmente há sempre pessoas em lista de espera. Creative Mornings A primeira vez que fui gostei tanto que escrevi um artigo sobre isso. Este meetup acontece algures numa sexta-feira de manhã durante o mês, no Second Home, em Lisboa. É uma comunidade de criativos que se encontra mensalmente em todo o mundo. […]

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#12 Um dia intenso de aprendizagem

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Escrevo este post, na viagem de regresso de um workshop de código. Das 10h às 18h, aprendemos sobre desenvolvimento de produtos, criámos uma landing page, aprendemos sobre git e brincámos um pouco com ruby. Estou de rastos, imagino que seja este sentimento multiplicado por nove semanas, aquele que atinge os participantes dos bootcamps de código. Mas o sentimento de “consegui” ultrapassa o primeiro e é este que me permite estar para aqui a escrever. Como já escrevi noutro post, acho que o código é uma linguagem do futuro e acho que, num futuro breve, todos vão ter que compreender pelo menos os básicos da programação. Por isso este tipo de iniciativas, ainda por cima gratuitas, valem muito a pena. Aquilo que gostei mais, até por causa do blog, foi da parte em que criámos uma landing page. Já tinha alguns conhecimentos de html e css, mas ajudou-me a consolidar e integrar os conhecimentos que já tinha e perceber como é que passamos de uma série de frases, para uma página que funciona. Para além disso, deram-nos uma série de recursos para podermos continuar a “aprender a pescar”, sites com bibliotecas de código, sítios onde encontrar imagens, icons, fontes, entre tantas […]

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