O stress que os livros de desenvolvimento pessoal me dão

O stress que os livros de desenvolvimento pessoal me dão

Um dos meus estilos de leitura preferidos, especialmente desde que atingi a maioridade, são os da secção de desenvolvimento pessoal, que frequentemente aparecem algures entre as prateleiras de psicologia e esoterismo (isto quando não estão todos na secção de esoterismo – poderia escrever um post inteiro sobre os nervos que isto me dá). Já li muitos. Há uns que são uma tetra que acabo por folhear na viagem de regresso a casa, outros são livros que começam por mudar a minha forma de olhar para um problema e que acabam por me inspirar a dar a volta à vida toda. Gosto como a maior parte deles colocam o sucesso no trabalho e no esforço e não no talento inacto. Alguns ensinam-nos a trabalhar mais, outros a aprender mais, outros ainda a aproveitar melhor as horas do nosso dia. Há aqueles que nos inspiram a trabalhar mais e aqueles que nos relembram que a vida é muito mais que trabalho, uma viagem que deve ser aproveitada sob pena de tudo aquilo que conquistamos nos levar apenas a um lugar vazio. Mas se estes livros me inspiram tanto, porque é que são também uma grande causa de stress? Como disse há umas linhas […]

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A vida não nos vai compensar os momentos maus com facilidades

Quando a vida é dura connosco, temos o direito de ficar tristes, de chorar, de não gostar, de reclamar e até de nos vitimizar-mos. Foi-nos sempre dito que merecemos tudo. Que se formos bons estudantes, bons cidadãos, bons filhos, bons amigos, a vida nos vai correr bem, vamos ser felizes, bem sucedidos e ter uma boa vida. Por isso é normal que fiquemos chateados quando fazemos tudo bem e ainda assim a vida não nos corre bem. Se quando somos mais velho começamos a poder procurar entre todas as nossas más acções e momentos menos felizes por uma explicação para aquela “coisa má que nos caiu no colo”, quando somos mais novos não há muitas ações que justifiquem qualquer catástrofe. Ficamos sem outra opção, se não acreditar que o mundo é um lugar mau e onde os finais não são sempre felizes. Podemos desistir e desculpabilizar-nos, ou mesmo esperar que a vida nos compense pelo mal que nos fez. Afinal o mundo é horrível. As pessoas não são sempre felizes e não basta sonhar e acreditar. Seria simpático se a vida nos “compensasse” por sofrimentos anteriores: “Os teus pais morreram antes de ter 18 anos, por isso agora vais entrar […]

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Leituras de Verão: o Diagrama de Venn

review o diagrama de zenn

Quando compramos um livro algo nos atrai para ele. Não sabemos bem o quê. Vemos a capa. Lemos o resumo, às vezes alguns excertos (quando era pequena costumava ler a última frase), mas a verdade é que não sabemos como vai ser. Por vezes, entusiasmamo-nos e quando começamos a ler temos uma grande desilusão. Outras vezes o livro supera as nossas expectativas. Escolhi este livro porque achei engraçado que alguém decidisse misturar matemática num romance para adolescentes (eles que tanto a odeiam). A protagonista é uma nerd que adora matemática e que, como a maior parte dos adolescentes, se sente algo desenquadrada. Para ajudar tudo ela tem visões: umas que a ajudam nas suas explicações (porque lhe mostram as dificuldades dos seus pupilos), outras que acontecem sempre que toca nas pessoas ou nos seus objectos pessoais e que lhe dificultam a vida porque lhe mostram o turbilhão de emoções e problemas em que cada pessoa vive. O livro chama-se diagrama de Venn, porque o rapaz por quem a protagonista se apaixona se chama Zenn, “como o diagrama de Venn”. No início os seus dois círculos “quase não se sobrepunham”, mas no fim percebem que têm muito mais em comum do que […]

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8 anos sem mãe

8 anos sem a minha mãe

Quando alguém morre costuma-se dizer que o tempo cura tudo. É verdade que com o passar do tempo, a dor se transforma mas não desaparece. Especialmente porque o que perdemos não vamos voltar a ter e por isso não há cura possível. Com o passar dos meses e sobretudo dos anos, a dor deixa de nos acompanhar diariamente, para passar a vir de vez em quando, em vagas de nuvens carregadas que aparecem sem pedir licença e que se instalam umas vezes por uns dias, outras vezes por semanas. São os momentos que nos recordam do que nos faz falta (e este ano foi cheio deles: os 25 anos, a defesa da tese, a benção, etc). Para mim tudo se torna mais difícil por ter perdido pessoas com papéis determinantes na vida de uma criança/adolescente: o meu pai (quando tinha 10 anos) e a minha mãe (com 17). Foram coisas que me fizeram crescer rápido de mais e que deixaram demasiados momentos por acontecer. Acho que num primeiro momento nem temos bem noção do impacto que a morte de uma única pessoa vai ter na nossa vida. Mais tarde vamos percebendo. São as noites em que chego a casa e não […]

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Viver a vida que nos faz sentido (e não a que faz sentido ao resto das pessoas)

Acho que é importante colocarmo-nos em alguns momentos fora da nossa zona de conforto. Mas para sermos capazes de sair da nossa zona de conforto é necessário termos uma. Depois de 2 ou 3 anos a colocar-me constantemente fora da zona de conforto, já não tinha uma. Vivia numa mudança constante e acabava por não ter nenhuma estabilidade. Há quem discorde, mas ter equilíbrio e alguma constância é tão importante como não nos tornarmos escravos dessa zona mais confortável. Por isso, quando cheguei ao fim da licenciatura, decidi ir pelo caminho mais seguro, manter-me na mesma faculdade, estudar algo onde à partida teria emprego e não arriscar demasiado. Ao longo do curso fui arriscando em alguns momentos, mas nada de muito desconfortável. Entre fazer 25 anos e chegar ao fim do curso, começou uma reflexão mais profunda sobre o que quero fazer com a minha vida. Se há coisa que já aprendi é a não apressar a passagem de uma fase para outra. Tinha a hipótese de fazer um sprint até à próxima fase da minha vida profissional, mas sentia-me exausta e confusa e achei que não fazia sentido a pressa. Tinha a possibilidade de ter um ano mais tranquilo, […]

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Uma reflexão sobre os 25 posts em 25 dias

25-anos-25-dias-25-posts

Para celebrar os meus 25 anos decidi escrever 25 posts em 25 dias.  Sabia que era desafiante, mas achei que era fazível e levei uma chapada de luva branca da vida. Depois de 4 tentativas cheguei ao fim e, agora, gostava de partilhar convosco um pouco do processo, o que correu bem, o que correu mal, o que aprendi. Acredito que podemos aprender muito com a experiência dos outros, por isso espero que este post vos seja útil. O post é longo, por isso deixo-vos um resumo no fim. Primeira tentativa A primeira tentativa começou em Abril e a ideia era os 25 posts antecederem os 25 anos. Comecei tardiamente, mas achei que não haveria problema em dois ou três posts sairem mais tarde com posts do género “o que muda com os 25 anos”. Logo no início comecei a falhar nas horas de saída dos posts, depois comecei a falhar dias e por fim passei mais de uma semana sem publicar nenhum (SHAME!). Segunda tentativa Com a chegada dos meus anos parecia-me parvo abandonar o projecto por isso decidi retomá-lo, com um post sobre a consistência. Voltei a partilhar os primeiro posts, o que me deu alguns dias para […]

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#25 – Sobre chegar ao fim

dia 25

O último post dos 25 posts para comemorar os meus 25 anos é para falar de finais e de acabar coisas. Num próximo post vou escrever sobre este processo e como correu. Hoje vou-me focar no sentimento de chegar ao fim, de terminar, de acabar algo. Neste último mês, terminei a tese e o relatório de estágio, estive a participar num programa de voluntariado de Verão da Câmara de Cascais. Hoje apresentei a minha tese e agora termino também os 25 posts que me propus a escrever. E sabe tão bem chegar ao fim. Sou uma apologista do feito é melhor que perfeito. Ainda que às vezes tropece em desejos de perfeição ou na tentação da procrastinação, a uma dada altura do processo lá me acabo por focar nos meus objectivos e concluir o que me propus a fazer. E nestes dias tenho sentido que realmente não vale a pena deixar as coisas em aberto, mais vale “despachar”. Ainda que não fique com a qualidade que desejámos ou que sabemos que noutras condições poderíamos atingir, mais vale acabar. Depois há tempo para fazer melhorias, outras oportunidades para fazer melhor. Acho que este espírito de terminar coisas está a ajudar-me a […]

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#24 -Sobre ter 25 anos e pedirem-me o BI para entrar numa discoteca

dia 24

Já não ligo, nem me indigno, quando me pedem o BI para entrar numa discoteca, ou quando compro bebidas alcoólicas e me informam que é necessário alguém maior de idade. Também já me habituei às caras de choque quando digo que tenho 25 anos, depois de várias tentativas de adivinharem a minha idade que raramente passam dos 19. Acho piada ao ar confuso de quem não me conhece quando digo que vou brevemente defender a minha tese de mestrado. Um dia, quando tiver 50 anos, talvez agradeça o facto de parecer mais nova. Até lá umas vezes fico só farta de ouvir sempre a mesma coisa, outras rio-me, porque é irónico que vivendo uma vida de adulta, a minha aparência seja de criança. O termo técnico é “baby face”, em português cara de bebé. Refere-se a pessoas, como eu, com caras redondas, bochechas fartas, olhos grandes, poucas rugas. Em resumo, são pessoas que parecem mais novas do que parecem. Estudos demonstraram que as pessoas consideram as pessoas com baby face mais bonitas e simpáticas, mas nem tudo é bom. As pessoas com este tipo de cara também são consideradas menos inteligentes, menos capazes e mais infantis. É chato? É, mas faz […]

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#23 – A tese é liiiiiinda

dia 23

Aviso: o post acaba em depressão. Não ler. Hoje, na realidade amanhã,  é um dos meus dias preferidos do ano. Nasci em Lisboa e vivo em Cascais, ambas têm como padroeiro o Santo António. Durante 8 anos andei na escola salesiana de Santo António do Estoril. Quando mudei de paróquia fui parar à paróquia de Santo António de Nova Oeiras. Fui baptizada e crismada na Igreja de Santo António. Passei o meu tempo em Itália a explicar que o santo António é português. E visitei Padova, a cidade onde Santo António morreu, duas vezes. Desde que me tornei maior de idade que comecei a frequentar a noite de Santo António e a noite, não o dia, passou a ser a minha favorita. Houve anos que fiquei só num sítio, houve anos em que fiz Lisboa inteira a pé, uns anos fiquei nos bairros noutros passei pela Avendia para ver as marchas. A acrescentar a tudo, a minha faculdade é em Alfama e todos os anos participava no arraial e estavam professores e alunos juntos a assar febras e a dançar música pimba (infelizmente este ano isso não vai acontecer). Enfim, é uma das minhas noites preferidas do ano. Gosto mais […]

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#22 – Um manifesto anti-“o que te vês a fazer daqui a 5 anos?”

dia 22

Como as pessoas que me conhecem ou que leiem o blog sabem estou a chegar ao fim do meu mestrado. Depois de ter passado 5 anos a estudar psicologia, depois de querer tanto que este momento chegasse, ele finalmente chegou. E não é que esteja super feliz que ele tenha chegado: adorei a minha benção, adorei este último ano em que não temos aulas, mas seminários. Mas a verdade é que o que vem a seguir é desconhecido e por muito que tentemos planear todos os detalhes, o que vai acontecer a seguir escapa em larga escala ao nosso controlo. Os meus dias são passados a imaginar cenários. Se entrar no Doutoramento vai ser assim. Se não entrar vai ser desta outra forma. Entretanto surgem outras ideias, outros sonhos. E se isto afinal não for o caminho certo? A verdade é que a vida já me ensinou que todo o tempo e recursos cognitivos que perco a pensar nestas coisas são muito pouco útei, para não dizer que não servem mesmo para nada. Acontece o que tiver que acontecer. Os planos normalmente nunca se realizam porque há uma série de outros factores que não conseguimos ter em conta. Várias vezes […]

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