#15 – porque é que as entrevistas nunca correm bem?

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Até hoje não fiz muitas entrevistas (quer dizer, como entrevistadora até já fiz algumas), como entrevistada foram talvez 5, nenhuma delas para um trabalho pago e só uma para um estágio curricular. Fiz algumas para programas de voluntariado e hoje fiz uma para uma pós-graduação a que me candidatei.

Até chegar ao 5º ano da faculdade (o ano em que estou agora), as entrevistas sempre foram uma coisa simples para mim. Muitas dela nem sequer eram entrevistas de selecção, eram entrevistas só para verificar se havia um match e mesmo as de selecção, cheguei lá disse o que tinha a dizer, respondi com honestidade e um sorriso e vim-me embora. Fui sempre chamada a seguir por isso tinha a percepção de que até tinha jeito para a coisa.

Com o aproximar da vida profissional, as entrevistas começaram a deixar-me nervosa. Uma parte do meu curso é o Recrutamento e Selecção. Sei perfeitamente que quem está a recrutar não está ali para nos “lixar”, só queremos conhecer os candidatos. Nem sequer temos interesse em saber quem é o melhor, mas sim qual é o que se ajusta melhor ao lugar. Não se procuram génios, é algo muito mais abstracto, procuram-se pessoas com um match de valores, capacidades e experiência que permitam desempenhar o melhor possível a função. Talvez daí tenha nascido o pânico, porque não chega mostrar que sou boa, tenho que mostrar que me ajusto ao lugar a que me candidato.

Fui bastante calma para a entrevista e parti da assumpção errada que a senhora tinha lido o meu currículo (que era obrigatório enviar). Horas depois, depois de muito pensar no que tinha acontecido, percebi que era impossível ela ter olhado para o meu currículo. Esqueci-me de falar de experiências importantes que já tinha tido. Esqueci-me de dizer que era boa a matemática, em vez disso disse que tinha estudado matemática. Esqueci-me de preparar a célebre pergunta do “O que é que vais trazer a este programa/empresa/equipa/ etc?” e, embora tenha feito um extenso trabalho de casa, nem sabia que a pós-graduação era em inglês.

Ainda assim, safei-me, tenho consciência que isto são pormenores, mas podem ser os pormenores que determinam que eu não entre. O meu primeiro feeling foi que correu bem, mas depois comecei a percorrer a entrevista à procura de tudo o que podia ter dito no momento errado, quando me poderia não ter explicado bem ou os momentos em que talvez tenha sido um bocado irritante (defeito de quem alterna entrevistado e entrevistador). Há um lado positivo, ter esta capacidade de olhar CRITICAMENTE para a minha prestação, permite-me aprender e crescer. Mas a verdade, é que acho que as entrevistas não foram feitas para correr bem. Estamos ali frente a frente com outro humano, numa situação de desigualdade, em que ele nos avalia e, de certa forma, decide o nosso futuro. Na ausência de um resultado imediato, só nos resta olhar para trás e pensar em tudo o que correu mal, até que talvez chegue um mail a dizer que afinal, até correu bem.

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