#16 – o drama da tese

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Não, isto não é um post, de uma pessoa que acha que é uma estupidez termos que escrever uma tese e que odeia tudo o que seja ler artigos e fazer investigações. Pelo contrário, sempre adorei a área de investigação (aliás vou-me candidatar a um doutoramento em Setembro) e por isso sempre achei que ia ser super simples para mim fazer a minha tese.

Durante o meu curso, sempre fizemos vários projectos de investigação, por isso sempre olhei para a tese, como mais um trabalho. E como adoro investigação, sempre achei que seria algo relativamente fácil e que teria prazer em fazer.

Acho que a maior lição que aprendi, é que a tese é muito mais do que a tese. É metade dos créditos de um ano, é dos poucos trabalhos que fazemos sozinho, é um trabalho com um prazo super alargado, é o primeiro trabalho onde investimos realmente muito e é o nosso bebé. E é um bebé que dá muitas dores de cabeça.

Não podemos e não queremos fazer qualquer coisa só para entregar. O tempo que inicialmente prevemos gastar estende-se e com um prazo longínquo (normalmente de um ano), é difícil ter o auto-controle para terminar rápido.

Cada um esbarra a sua parte e tudo o que eram apenas pequenos defeitos que se foram manifestando ao longo do curso, tornam-se verdadeiras pedras no nosso percurso e que nos atrasam a tão desejada chegada à meta do fim do mestrado. É o nosso último momento, antes de começar a vida adulta. É um momento em que podemos finalmente fazer um trabalho que seja do nosso gosto e é tão interessante ver que muita gente nunca chega a entregar a tese. Querem tanto entregar uma tese perfeita, que não entregam nenhuma.

No meu caso, como preciso de entregar mesmo a tese em Julho (para me poder candidatar ao doutoramento). Nas últimas semanas, o foco passou a ser entregar um texto que faça sentido e que relate o meu projecto de investigação.  É mais importante entregar, do que ter um 20 e por isso é nisso que me estou a focar.

A tese traz tantas outras coisas, tantos outros dramas. Somos nós, em casa ou na biblioteca, sozinhos à frente de um computador, sozinhos à frente dos artigos e ninguém a deve escrever por nós e ninguém pode defendê-la por nós.

Subestimei este papão. Quando terminar já não será mais um papão. Provavelmente vou olhar para trás e rir-me disto tudo, da minha parvoíce e ao mesmo tempo da minha inocência. Até lá continuo a braços com a introdução, método, resultados, discussão e revisão de literatura. Continuo de volta da base de dados a tentar perceber o que me dizem aqueles resultados, vou continuar a olhar para os artigos e a encontrar novas leituras. Talvez dê em louca, mas antes disso espero entregar a tese. Pelo menos, serei uma mestre da loucura.

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2 comentários

  1. Calma. muita calma Mafalda. Realmente o prazo é alargado e por ser alargado muitas vezes perde-se o controlo do tempo. Mas de nada serve entrar em pânico. O melhor remédio é irmos estabelecendo metas a nós próprios.

  2. Estou no mesmo barco. Também subestimei a dificuldade que é escrever uma tese, são muitos artigos, muitos detalhes e muitas horas à frente do computador. Boa sorte nesta jornada 🙂

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