#19 – porque é que uma relação “já não é o que era” está apenas a começar

dia 19
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Uma das séries que tenho acompanhado é a Clínica Privada. Estou algures entre o meio e o fim da segunda temporada e uma das relações entre os personagens “já não é o que era”. Ouvem-se frases do tipo “somos muito diferentes” ou “já não sinto o que sentia”. Por alguma razão, isto parece significar que a relação está para terminar a qualquer momento. E isto fez-me pensar.

Também a minha relação com o Miguel passou por momentos em “já não é o que era”, também nós fomos descobrindo diferenças e houve (há) momentos em que parece que temos mais diferenças que semelhanças. Acho que ambos já pensámos em terminar a relação (aliás terminámos uma vez no início, eu escrevi sobre isso aqui). Mas acabámos por continuar sempre juntos. Porque somos duas pessoas incríveis? Duvido. Porque o nosso amor é mega especial/de conto de fadas/de um filme? Também não. Porque somos de psicologia? Ok, aqui acho que isso pode ajudar, mas muitas vezes só piora. Então, porquê?

Acho que é sobretudo a forma como vemos o que é estar numa relação. Naquele primeiro momento, em que é tudo fantástico e maravilhoso, em que o nosso mais que tudo brilha e o coração arde, isso é paixão, isso não é amor. A paixão é óptima, mas as relações humanas precisam de mais do que isso, precisam de amor. Aquele cola-cola inicial, não é bem amor, é mais um cola-cola. No momento, em que a paixão se vai embora, muita gente desiste. Pensam que o amor acabou, quando na realidade ainda nem começou. É quando o peito deixa de arder todos os dias e percebemos que a pessoa ao nosso lado, afinal, cheira mal da boca (como todos os humanos) que o amor começa a nascer.

Não é fácil. Não é mágico e brilhante, na realidade é duro. Mas não foi quem foi a criatura que inventou que o amor era suposto ser risinhos e um sorriso na cara. Claro que amar não é uma tortura (embora às vezes pareça). O amor é algo espectacular e incrível, mas como tudo o que é espectacular e incrível, dá trabalho, dá chatice, leva tempo. E ninguém está para isso. E depois, andam para aí, como a personagem da minha série, a dizer que o amor nunca lhes bate à porta.

Claro que acredito que no momento certo, a pessoa certa irá aparecer. Mas também acredito que mesmo a relação com a pessoa mais certa do mundo requer trabalho, requer paciência. Também essa relação vai chegar a um momento de “isto já não é o que era” e é aí que tudo se vai decidir. Se soubéssemos que aquela pessoa é a tal, não tentaríamos mais vez? Não tentaríamos compreender melhor o outro lado? Não procuraríamos uma forma de fazer resultar?

Eu acho que sim e atenção que não estou a falar de continuar a tentar cegamente, quando as pessoas já só se estão a fazer mal uma à outra. Mas um tentar juntos. Um perceber que em certos momentos um de nós vai cair e o outro vai ajudar, mas vão existir momentos em que vamos cair os dois. Pior, vão existir momentos em que a relação vai ser aborrecida, vão existir dias em que o coração não arde ou que estamos mesmo irritadas porque pela 35ª vez ele deixou uma garrafa de sumo em cima do lixo, em vez de por dentro do lixo (qual é a lógica???). Mas pela 35ª vez vamos ser capazes de olhar para outra pessoa e perceber que o amor é maior que isso. Que o caminho se faz caminhando e que nem sempre é fácil, mas pelo menos não caminhamos sozinhos.

Por isso, na próxima vez que estiverem numa relação e pensarem que as “coisas já não são o que eram”, pensem que chegou a vossa oportunidade de amar verdadeiramente. E se não for dessa, bem voltem a tentar, eventualmente o amor chegará.

NOTA- desculpem pelo texto super lamechas

NOTA 2 – esta é a minha opinião sobre o tema, obviamente que respeito a forma que cada um tem de ver as relações. Da mesma forma, eu tenho liberdade de expressar  a minha.

2 Replies to “#19 – porque é que uma relação “já não é o que era” está apenas a começar”

  1. A paixão e tão intensa mas dura tão pouco tempo. O amor é algo que cresce todos os dias. E ainda mais uma relação de anos, que realmente têm de ser construída, alimentada, contra desafios e coisas menos boas da vida. Todos os dias não são 100% bons e há discussões, mas é tudo ultrapassável com a pessoa certa!

    Mas concordo muito contigo uma relação não é do amor, é respeito, comunicação, compromisso, flexibilidade, admiração. Só assim o amor pode viver numa relação séria.

  2. Só percebi o que é “amar” uma pessoa quando, depois de muito discutirmos por coisas ridículas e nos afastarmos assim do nada por decisão dos dois, passados 2 meses me lembrei “ó raio! Onde é que ele está?! Preciso deleeee” e .. surpresa das surpresas, em dois meses conheceu outra, começaram a namorar e já férias faziam juntos. Qd ele era quem mais dizia “amo-te”…
    Fiquei destroçada e ainda não me conformei.
    Será normal?! Não me parece…

    Penso nele quase todos os dias. Ainda imagino um regresso, utópico, muito utópico. Mas acredito…

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