#22 – Um manifesto anti-“o que te vês a fazer daqui a 5 anos?”

dia 22

Como as pessoas que me conhecem ou que leiem o blog sabem estou a chegar ao fim do meu mestrado. Depois de ter passado 5 anos a estudar psicologia, depois de querer tanto que este momento chegasse, ele finalmente chegou. E não é que esteja super feliz que ele tenha chegado: adorei a minha benção, adorei este último ano em que não temos aulas, mas seminários. Mas a verdade é que o que vem a seguir é desconhecido e por muito que tentemos planear todos os detalhes, o que vai acontecer a seguir escapa em larga escala ao nosso controlo.

Os meus dias são passados a imaginar cenários. Se entrar no Doutoramento vai ser assim. Se não entrar vai ser desta outra forma. Entretanto surgem outras ideias, outros sonhos. E se isto afinal não for o caminho certo? A verdade é que a vida já me ensinou que todo o tempo e recursos cognitivos que perco a pensar nestas coisas são muito pouco útei, para não dizer que não servem mesmo para nada. Acontece o que tiver que acontecer. Os planos normalmente nunca se realizam porque há uma série de outros factores que não conseguimos ter em conta. Várias vezes olhei para o momento em que estava a pensar e pensei há um ano não me imaginaria aqui, quanto mais pensar a 5 anos ou 10 anos.

Por isso, é que acabo por achar sempre meio parva aquela pergunta de “onde é que te vez daqui a 5 ou 10 anos?”. Sinceramente, não sei. Tenho planos, tenho projectos. Mas provavelmente não vai correr nada como eu tinha projectado. Pode correr melhor, pode correr pior, normalmente é só diferente. Igualmente bom. Claro que também pergunto isto aos outros. Quando não consigo perceber quais são os objectivos de uma pessoa, isso ajuda-me. Mas a verdade é que o mais provável é nada daquilo acontecer dessa forma.

Ainda que nada aconteça como planeado, acho que é mesmo muito importante termos uma direcção, termos um plano para lá chegar. Provavelmente, vamos ter que mudar muitas vezes o caminho. Às vezes vamos ter que dar uma volta enorme para chegar ao mesmo sítio. Mas acredito que no fim, vamos chegar a onde tivermos que chegar.

Talvez a pergunta de “onde é quer daqui a 5 anos?” seja meio parva, talvez até seja útil, mas acho que mais importante do que saber exactamente o que se quer e como iremos lá chegar, é compreender que é apenas um plano e que ao longo do caminho vamos ter que estar muito atentos e pensar rápido. O mais importante é a capacidade de adaptação. Raramente o caminho é uma recta, frequentemente vamos ter que abandonar o trilho marcado pelos outros e nesses momentos temos que confiar no nosso instinto e irmo-nos ajustando perante o caminho que se nos vai apresentando.

NOTA – Não, não me esqueci do blog, mas tive umas semanas bastante preenchidas e não deu para o atualizar tanto como gostaria. Mas não se preocupem. Os próximos três posts dos 25 anos já estão a caminho. O próximo sai mais logo

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2 comentários

  1. Realmente não tinha pensado nisso dessa forma. Passamos a vida a ouvir que temos de ter objectivos e saber exactamente para onde vamos, mas quando nada corre como planeado o que é que fazemos? Acho que é como dizes, temos de ter os nossos projectos, ideias e caminhos que gostaríamos de tomar para termos direcção, mas também temos de perceber que se as coisas não correm como nos tínhamos planeado, não há problema,porque podemos sempre adaptarmo-nos

    1. normalmente não é assim que nos é pedido para pensarmos. Mas acho que tem mesmo que haver um equilíbrio.Claro que devemos ter um foco, mas a igual capacidade de perceber que existem demasiadas variáveis para as coisas correrem como planeámos. Se uma pessoa tiver grandes planos, mas não for capaz de se ir adaptando, acho que acaba por desistir porque pensa “não deu”. Por outro lado, uma pessoa que vai trilhando o caminho, mesmo que não tenha um grande plano, acaba por ir conseguindo chegar a alguns lados e esses lados podem levar a algum lado 😛 obrigada pelos comentários atentos e beijinhos

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