#5 Não às dietas

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Resolvi que estava farta de dietas. Mas também resolvi que estava farta de comer coisas que só me faziam mal. Mas não sabia como é que podia comer melhor, perder peso e sentir-me bem. Não queria comer só talinhos e passar os dias com fome.
Desde pequena sempre fui gordinha. Ainda que comesse relativamente bem sempre fui assim. Com a adolescência comecei a preopupar-me cada vez com o meu peso e comecei a fazer uma dieta atrás da outra. Andava sempre a tentar emagrecer, mas no fim ficava sempre mais gorda.
Ao fim de muito tempo, lá acabei por perceber que as dietas não me ajudavam em nada. Ainda assim de vez em quando, quando não gostava do número da balança lá ia em busca de um novo milagre que me permitisse ficar com uns quilinhos a menos.
Já há uns bons anos, li um livro que se chamava a dieta do estudante, da filha do Dr. Oz (um médico americano muito famoso). Como nos EUA é habitual que as pessoas engordem quando vão para a faculdade (o mesmo processo que acontece por cá quando as pessoas saem de casa dos pais), ela decidiu investigar o que poderia fazer. Acabou por perceber que uma alimentação saudável sem grandes exageros e algum exercício seriam os seus melhores aliados, e até acabou por perder algum peso no primeiro ano da faculdade.
Retirei algumas ideias do livro, de snacks saudáveis e fui sempre tentando fazer uma alimentação mais ou menos, com poucos vegetais, alguma fruta, quase sem fritos e com alguns docinhos.
Quando comecei a fazer bodyboard regularmente perdi muito peso (uns 5 kg mais ou menos). Foi um processo lento, ao longo de vários meses, mas era óptimo porque me sentia saudável, em forma e na realidade até comia mais do que antes, porque gastava essas calorias.
Entretanto veio o mestrado, muitas horas na faculdade, muito stress. E pronto, lá se foi tudo por água abaixo: engordei imenso, perdi a massa muscular que tinha ganho e sentia-me mesmo fora de forma. Ainda comecei tentar motivar-me para comer melhor e fazer desporto sozinha e consegui introduzir algumas melhorias, mas percebi que sozinha não chegava lá.
Marquei uma consulta com uma nutricionista. Não queria nada de dietas loucas e foi isso que tive. No primeiro mês podia comer dois quadrados de chocolate por dia (dado que eu comia um chocolate por dia, normalmente um snickers ou um twix). Não se trata de fazer uma dieta, mas de ir mudando a minha alimentação e em alguns aspectos até o meu dia-a-dia. Cada momento, tento focar-me numa ou duas coisas e a pouco e pouco sem pressas os resultados vão aparecendo.
No primeiro mês, aquele em que podia comer os chocolates, comi muita coisa que não devia. Mas no final desse mês fiquei contente, porque durante um mês não comi nada daquelas máquinas de comida (costumava comer todos os dias, às vezes até duas vezes no mesmo dia). Depois foi aprender a comer bem e, ainda assim, ter alguns momentos em que podia comer “porcarias”, sem me descontrolar completamente, i.e., comer uma bola de gelado sem precisar de comer a caixa inteira. Só muito recentemente é que comecei a olhar para a comida de outra forma e a sentir que realmente prefiro comer coisas saudáveis a outras que não nos dão nutrientes nenhum, nem nos alimentam.
Tem sido um processo longo, com altos e baixo, ainda nem chegou aos 3 meses. Uns dias apetece-me comer tudo, outros correm bem, como de 3 em 3 horas, bebo muita água, como a fruta, os legumes e a sopinha. Já perdi algum peso e já estou menos inchada, mas para que os resultados perdurem é preciso ir com calma, perceber o que nos leva a comer o que não devemos, a encontrar a alimentação ideal para nós. Muitas vezes por tentativa e erro, até acabamos por perceber que os legumes são fixes.
A pior fase foi quando terminei o estágio e não tinha horários nenhuns. Estava cansada e não me apetecia cozinhar. As horas passavam e quando finalmente me mexia para comer tinha tanta fome que ia a primeira comida que apanhasse que não desse trabalho. Aprendi que nestes momentos é possível encontrar estratégias para manter uma alimentação saudável com muito menos esforço.
Entretanto também comecei a fazer mais desporto, voltei a fazer yoga (ashtanga) e mantive a natação (com calma por causa do joelho que entretanto se aleijou). Ajuda a perder peso, a perder massa gorda e também facilita a parte psicológica. Para além disso, fazer exercício físico moderado algumas vezes por semana é essencial para um coração saudável. Acho que esta parte é mesmo determinante, custa começar, mas como toda a gente que faz desporto com regularidade sabe, depois custa é não fazer.
Este é um processo que ainda está a decorrer e espero voltar a escrever sobre ele. Acho que o mais importante para mim foi perceber que a alimentação ou o peso não se resolvem com dietas extremas, mas com uma alimentação saudável, sem excessos, mas onde nos permiti-mos comer as coisas que realmente gostamos.

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1 comentário

  1. Revi-me imenso na tua primeira frase. Estava farta de comer porcaria quando fui para a nutricionista. Fiquei lá um ano até perceber que tinha de fazer o meu próprio caminho sozinha. A maior lição que tiro das consultas é comer alimentos o mais natural possível e se for para “pecar” que seja só um bocadinho. Posso comer um gelado ou um bolo de chocolate, mas é só uma fatia e só naquele dia.
    Acho que é mesmo isso que é uma boa dieta: comer alimentos naturais e buscar snacks com poucos ingredientes e pouco açúcar, investindo na fruta. Depois é só passado a passo que nos reeducamos a comer. Sinto-me muito melhor assim!

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