8 anos sem mãe

8 anos sem a minha mãe

Quando alguém morre costuma-se dizer que o tempo cura tudo. É verdade que com o passar do tempo, a dor se transforma mas não desaparece. Especialmente porque o que perdemos não vamos voltar a ter e por isso não há cura possível.

Com o passar dos meses e sobretudo dos anos, a dor deixa de nos acompanhar diariamente, para passar a vir de vez em quando, em vagas de nuvens carregadas que aparecem sem pedir licença e que se instalam umas vezes por uns dias, outras vezes por semanas. São os momentos que nos recordam do que nos faz falta (e este ano foi cheio deles: os 25 anos, a defesa da tese, a benção, etc).

Para mim tudo se torna mais difícil por ter perdido pessoas com papéis determinantes na vida de uma criança/adolescente: o meu pai (quando tinha 10 anos) e a minha mãe (com 17). Foram coisas que me fizeram crescer rápido de mais e que deixaram demasiados momentos por acontecer.

Acho que num primeiro momento nem temos bem noção do impacto que a morte de uma única pessoa vai ter na nossa vida. Mais tarde vamos percebendo. São as noites em que chego a casa e não tenho ninguém com quem conversar, ou quando penso que a caminho da faculdade passo no antigo emprego da minha mãe e poderíamos almoçar juntas de vez em quando, ou quando se passa mais um aniversário sem a festa que só os pais sabem fazer porque foram eles que nos trouxeram ao mundo, ou mesmo as discussões que não acontecem. São pequenos buracos que vão ficando e que deixam a estrada bastante mais sinuosa.

Se pudesse dizer algo à adolescente que há oito anos perdeu a mãe numa manhã quente de verão, dir-lhe-ia que isto não te define e que continuas a poder fazer tudo o que sonhares.

Se o caminho for sinuoso, continua a levar a algum lado, mesmo que leve mais tempo a percorrê-lo. Tem paciência e não desistas dos teus sonhos.

Aproveita todos os mimos de um momento de crise, porque eles evaporam-se em pouco tempo. Vais precisar deles mais tarde.

Não tenhas medo de ficar triste, porque há tristezas que só passam quando lhes damos espaço para existirem. E procura ajuda, porque há coisas pelas quais não podemos passar sozinhos.

Não queiras parecer forte, porque embora todos te admirem, dás a ideia de que não precisas de ajuda e a admiração vai-te sair cara.

Não tenhas medo de continuar a ser adolescente e sê um bocadinho mais irresponsável. A vida já te roubou uma coisa, mas não tem que te roubar outra.

Sonha, porque isso é o mais importante e só vale a pena viver com um sonho a comandar o dia-a-dia.

Não ligues ao que os outros dizem, porque és a pessoa que mais sabe sobre a tua vida. Como vais perceber daqui a uns anos, por mais que te esforces há coisas que os outros não vão perceber e por isso tens que ser tu a decidir o que é melhor para ti.

Aproveita a vida, porque como já percebeste ela curta. Viaja, diverte-te, come fora, lê livros, encontra o amor da tua vida e tenta não te preocupares demasiado com o futuro.

E, sobretudo, não tenhas medo de ser feliz. Não te preocupes, a vida vai ser mais simpática do que foi até agora, só tens que ter paciência e confiar.

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2 Replies to “8 anos sem mãe”

  1. Mafalda não sei aquilo que sentes mas por vezes deve ser tão assustador. E aquilo que te tenho para dizer é que as melhores coisas da vida estão do outro lado do medo, por isso atravessa essa estrada sem medos e vais ver que o que te espera é algo de muito bom.
    Beijinhos

    Mónica
    http://www.omelhorvemaseguir.pt

  2. […] doente e se precisares de ir ao hospital, um outro (recente) que escrevi no dia em que passaram 8 anos da morte da minha mãe, a receita de massa com molho tomate (deliciosa, se não virão têm que ficar a conhecer) e por […]

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