#9 Jogar as escondidas com os autocarros da carris

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Há um novo jogo em Lisboa. Na realidade não é novo, já existe há alguns meses, mas como ninguém fala dele, eu decidi que estava na altura de termos uma conversa séria sobre este tema.
 
Como é que eu entrei no jogo? 
Bem, ainda me lembro como se fosse ontem. Era o meu primeiro dia de estágio, ainda estávamos no Verão e o dia começou quente em Lisboa. Entusiasmada com o começo de uma nova etapa, já tinha planeado todo o percurso que tinha que fazer até ao estágio. Pois se não quando, chego à paragem onde esperava rapidamente apanhar um autocarro que me levasse à mui nobre zona da Matina e não é que a paragem tinha desaparecido.
Como viria a perceber mais tarde, não era só a paragem que tinha desaparecido, os autocarros tinham mudado o percurso, não tínhamos nenhuma informação. E, portanto, a umas quentes nove da manhã lá tive que começar a jogar às escondidas com os autocarros da carris. Sempre detestei ser a pessoa que fica a apanhar os outros, o pior é que desta vez por muito que gritasse “rebenta a bolha” eles não iriam aparecer (embora talvez aparecesse alguém para me tirar do calor e internar numa ala psiquiátrica).
Ainda continuas no jogo? 
Sim, não por vontade própria, mas a verdade é que ainda não consegui sair. Tenho a sensação que todas as semanas se inicia um novo jogo. Ora se troca a paragem, ora se troca o percurso, ora o motorista decide (sem razão aparente) trocar o percurso, ora o autocarro não vai até onde devia ir.
Recentemente pensei que finalmente tinha terminado, até houve uma festa para celebrar o fim do jogo e a vitória dos autocarros da Carris. Mas na semana passada, sem avisos, nem justificações os autocarros da Carris voltaram a querer jogar às escondidas e lá tive que me fazer à estrada, que estes malandros não são assim tão fáceis de encontrar.
 
Aconselhas outras pessoas a entrar no jogo? Tens algumas dicas?
Aconselhar, não aconselho. Mas ninguém entra porque quer. Uma pessoa sai de casa a pensar que será um dia normal, como os outros, e quando dá por isso está a atravessar a rua do Arsenal num passo acelerado, à procura do seu autocarro. É difícil. Estamos assim, ao sabor do vento, com um bom par de sapatos e um bom conhecimento das ruas da capital, tentando sempre manter a calma e enviando prontamente mensagens a avisar do mais que provável atraso.
NOTA – tudo o que se diz neste texto é uma brincadeira, incluindo a brincadeira que a Carris tem feito com os seus utentes todos os dias.

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