A vida não nos vai compensar os momentos maus com facilidades

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Quando a vida é dura connosco, temos o direito de ficar tristes, de chorar, de não gostar, de reclamar e até de nos vitimizar-mos. Foi-nos sempre dito que merecemos tudo. Que se formos bons estudantes, bons cidadãos, bons filhos, bons amigos, a vida nos vai correr bem, vamos ser felizes, bem sucedidos e ter uma boa vida. Por isso é normal que fiquemos chateados quando fazemos tudo bem e ainda assim a vida não nos corre bem. Se quando somos mais velho começamos a poder procurar entre todas as nossas más acções e momentos menos felizes por uma explicação para aquela “coisa má que nos caiu no colo”, quando somos mais novos não há muitas ações que justifiquem qualquer catástrofe. Ficamos sem outra opção, se não acreditar que o mundo é um lugar mau e onde os finais não são sempre felizes.
Podemos desistir e desculpabilizar-nos, ou mesmo esperar que a vida nos compense pelo mal que nos fez. Afinal o mundo é horrível. As pessoas não são sempre felizes e não basta sonhar e acreditar. Seria simpático se a vida nos “compensasse” por sofrimentos anteriores: “Os teus pais morreram antes de ter 18 anos, por isso agora vais entrar no curso que quiseres, ter um namorado todo gatão, um carro e uma casa com piscina”. Infelizmente não é assim que as coisas acontecem. Não só não somos “compensados” como muitas vezes parece mais que entramos numa espiral de (auto-)destruição em que por causa de uma situação complicada (um familiar doente) tudo o resto começa a correr mal também (temos menos tempo e vontade de estudar, menos paciência para parvoíces dos amigos). E é fácil desculpabilizarmo-nos cada vez mais, assumirmo-nos como vítimas das nossas circunstâncias e esperar um dia ter melhor sorte.
Não me interpretem mal, desculpabilizarmo-nos e termos ALGUMA pena de nós próprios faz parte do processo. Mas se é importante o processo de bater no fundo do poço, é igualmente importante lembrarmo-nos que só saímos de lá se nos pusermos a esbracejar. É super importante sabermos compreender as nossas próprias circunstâncias (e as dos outros) e não agirmos como se essas circunstâncias não existissem. Para podermos fazer alguma coisa, o primeiro passo é exactamente termos noção das circunstâncias em que estamos. Saber onde queremos chegar, o que podemos fazer, em que podemos facilitar a nossa própria vida e onde devemos ser mais exigentes connosco próprios.
Se há coisa que tenho percebido nos últimos tempos é que temos o direito de chorar e reclamar, mas se não fizermos algo para alterar a situação nada vai mudar. Infelizmente a vida não é um serviço de apoio ao cliente de boa qualidade, é mais parecida com um tribunal português. Se ficarmos à espera, vamos continuar à espera por muitos anos e no fim não é certo que seja feita justiça. Por isso, se temos uma situação menos boa, não podemos ficar à espera. Podemos ter que ajustar as velas, mas temos que perceber que vamos ter que remar ainda mais para chegar a onde queríamos chegar. Às vezes, percebemos que aquele caminho já não é o nosso, que mudámos demasiado, mas que não o seja porque será (mais) difícil. Não podemos cair na tentação de esperar que a vida nos facilite, temos que nos preparar para a complicação que aí vem. Para as frustrações, para as batalhas perdidas, para as lágrimas, para os momentos de irritação e desepero. Mas temos que continuar a acreditar.
A vida não nos vai compensar, mas nós podemos trabalhar para que ela não nos tire mais nada. Não é o que gostamos ouvir, porque exige trabalho e esforço da nossa parte, quando já estamos cansados. Mas é a única garantia que temos de que vamos chegar a um lugar melhor, se caminharmos para lá chegar, sem esperar por atalhos ou boleias.
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