Este ano não vou ser consistente

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Para quem me conhece já sabe que não sou a pessoa mais consistente da blogosfera. Este ano em vez de tentar, pela terceira vez, prometer ser consistente, vou prometer ser inconsistente. E acho que estou lançada para o sucesso.

Como já vos disse neste post não comecei este ano com muitas resoluções. Ainda ando a trabalhar nisto, mas acho que as minhas resoluções para este ano vão se aproximar mais de anti-resoluções do que de resoluções propriamente ditas. Não, não é só para ser do contra e criar uma nova moda; é mesmo porque este ano não me consigo identificar com a maioria das resoluções que normalmente escolheria. Logo eu, que sou toda goal-oriented e #productivity, vejo-me nesta situação de não estar de momento interessada em definir objectivos. Há momentos que não são para definir objectivos, são para respirar fundo e parar e este é um destes momentos.

Não se trata de parar num sentido lato, isso seria uma piada no meu contexto atual (tenho 2 exames e 1 trabalho para entregar até ao final de Janeiro, pelo meio tenho que preparar um encontro de investigação,… – acho que percebem a ideia). Mas parar no sentido de estar sempre à procura da próxima meta para cruzar, do próximo objectivo para riscar da lista, do próximo plano para realizar. Para pessoas que, como eu, são orientadas para os resultados, adoram produtividade, planos e objectivos, às vezes é um “choque para o sistema” parar. Mas, talvez até mais do que para as outras pessoas, é algo absolutamente necessário.

Andar a correr de um objectivo para o outro não só é cansativo, como muitas vezes nos impede de aproveitar a viagem. A verdade é que depois de atingir não-sei-quantos objectivos (no ano passado: terminar o mestrado, terminar o estágio, entrar no JRP, submeter o meu primeiro artigo, entrar no mestrado, etc), comecei a perceber que o atingir o objectivo per se, não é grande coisa. É absolutamente relaxante por um certo numa caixinha ou riscar um determinado objectivo da lista, mas isso dura na melhor das hipóteses um segundo. A piada está em todo o caminho que fazemos para lá chegar.

E pronto, isto tudo para dizer que as minhas anti-resoluções, sê-lo-ão porque cansada de me focar em objectivos, decidi focar-me em processos. Quero um ano em que encontre um bocadinho mais de paz interior e de satisfação. Isso passa por muitas coisas, obviamente, mas uma delas é compreendermos o que nos faz bem e o que não nos faz bem. Dando um exemplo, eu adoro este blog. É um projecto pessoal, já levou algumas voltas, mas mais que tudo é um hobbie. Ainda assim, muitas vezes ele acaba por ser apenas causador de mais stress: quando tenho que publicar um post em 555 redes sociais na expectativa de ter mais 0,5 visualização, quando me meto em projectos bem intencionados mas com todo o potencial para correr mal e quando meto demasiadas regras em algo que deveria ser um espaço para me expressar.

Quem me segue há mais tempo já sabe de cor que a consistência não é o meu forte (embora saiba que é algo muito importante como podem ver aqui). Como já devem estar à espera neste ponto do texto, não prometo ser mais consistente em 2018. Adorava desejar verdadeiramente isso. Mas não desejo. Todas as vezes que tentei manter-me consistente a publicar acabei por parar de escrever posts de todo porque me sentia exausta e bloqueada com a pressão de estar constantemente a publicar novos conteúdos. Pode não ser a melhor “estratégia digital” escrever posts quando me apetece, mas sobretudo não quero que este seja um espaço onde “por obrigação” publico conteúdos, mas um espaço onde partilho os meus pensamentos, ideias e dicas quando isso me fizer sentido.

Também andei a pensar em criar certos conteúdos mais específicos para millenials com dicas para a vida e para o trabalho, mas sinceramente neste momento não é por aqui que quero ir. E acho que algo que não seja escrito com um mínimo de paixão, normalmente não vale a pena ler. Escreverei esses posts sim, quando eles me fizerem sentido. Mas para já quer manter este espaço que é meu, onde posso ser inconsistente quando preciso, escrever sobre o que sinto que faz sentido em cada momento e não fazer algo que não assenta comigo.

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2 Replies to “Este ano não vou ser consistente”

  1. Ainda bem! És melhor inconsistente, consistente és uma seca! ahahah

  2. LOL é bom saber 😛

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