8 anos sem mãe

8 anos sem a minha mãe

Quando alguém morre costuma-se dizer que o tempo cura tudo. É verdade que com o passar do tempo, a dor se transforma mas não desaparece. Especialmente porque o que perdemos não vamos voltar a ter e por isso não há cura possível. Com o passar dos meses e sobretudo dos anos, a dor deixa de nos acompanhar diariamente, para passar a vir de vez em quando, em vagas de nuvens carregadas que aparecem sem pedir licença e que se instalam umas vezes por uns dias, outras vezes por semanas. São os momentos que nos recordam do que nos faz falta (e este ano foi cheio deles: os 25 anos, a defesa da tese, a benção, etc). Para mim tudo se torna mais difícil por ter perdido pessoas com papéis determinantes na vida de uma criança/adolescente: o meu pai (quando tinha 10 anos) e a minha mãe (com 17). Foram coisas que me fizeram crescer rápido de mais e que deixaram demasiados momentos por acontecer. Acho que num primeiro momento nem temos bem noção do impacto que a morte de uma única pessoa vai ter na nossa vida. Mais tarde vamos percebendo. São as noites em que chego a casa e não […]

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Entregar a declaração do IRS em 4 passos

Sei que este é um tema que mais cedo ou mais tarde acaba por tocar a toda a gente. Por isso resolvi escrever um post onde vos explico tudo o que precisam de fazer para submeter a vossa declaração de IRS. Este ano o processo está muito facilitado, mas ainda assim podem surgir dúvidas, espero ajudar a esclarecê-las. NOTA: este artigo foca-se sobretudo no IRS para trabalhadores dependentes e pensionistas. Se és trabalhador independente (i.e., “a recibos verdes”) vais encontrar dicas úteis, incluindo alguns artigos que podes consultar para obter mais informações. Fiz pela primeira vez uma declaração de IRS em 2008, tinha 15 anos. Nessa altura, a minha mãe ensinou-me e desde então tenho-as feito sempre sozinha. Nunca foi um bicho papão. Sempre achei que era uma questão de ter tudo organizado, fazer as contas e saber onde escrever os valores. Ao longo deste processo é muito importante que guardes sempre todos os comprovativos e deves guardá-los durante 5 anos.   O que é a declaração de IRS 2016 e o Modelo 3? Basicamente a declaração de IRS é um documento que se entrega onde se declaram os valores que recebemos e algumas das despesas que tivemos. Este ano pode […]

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Como fazer se ficares doente e precisares de ir ao hospital?

como-ir-ao-hospital

Imagina que cais ou que estás doente e precisas de ir ao hospital? Se, como eu, vives sozinha(o) ou os teus pais não estão em casa, fica a saber que há alguns truques que podem facilitar uma ida ao hospital (neste caso, público). Não esperes por estar doente para leres isto, fica a saber tudo e quando precisares é só seguires estes passos. Até uma certa idade ia ao hospital porque alguém, normalmente a minha mãe, decidia que a minha doença era o grave o suficiente para necessitar de ser vista por um médico. Ela lá fazia o que tinha de fazer, íamos até ao hospital e voltava para casa. Em geral, parecia algo simples. E é. Mas quando se vive sozinho, é sempre diferente pensar nestas coisas. Muitas vezes, não vou ao hospital pelo simples facto que me sinto demasiado doente para me mover até lá. Com a agravante, que muitas das pessoas que encontro, especialmente no hospital de Cascais, são antipáticas e desagradáveis, despacham-nos em 5 minutos e nem sequer olham para a nossa cara. Este sábado depois de estar com uma dor no joelho há uns dias, decidi ligar para a saúde 24 e lá me disseram que tinha […]

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Natal sem pais

Christmas blues - fazer a árvore de natal sozinha

Toda a gente que já perdeu um dos pais sabe que o Natal não volta a ser a mesma coisa depois dos nossos pais morrerem. Mas as coisas melhoram e embora não volte a ser a mesma coisa, o Natal não tem que deixar de ser mágico. nota: Hoje para o post que vos escrevo resolvi ir buscar uma parte de um post que quase ninguém leu 😔e complementá-la para fazer um novo post. Por uma questão de clareza (e para o caso de teres lido o outro post, as partes de lá retiradas estão em itálico). Fui experienciando pouco a pouco, o que é viver o Natal sem pais. Primeiro perdi o meu pai, o que definitivamente me marcou, alguns anos depois a minha mãe. Foi aí que o Natal se tornou em algo completamente diferente. Uma época, por excelência, de vivência em família, não pode ser a mesma coisa quando os dois membros mais importantes da família (a mãe e o pai) não estão presentes. O Natal perde sem dúvida o brilho e há qualquer coisa que fica a faltar. Depois do meu pai morrer, quando eu tinha 10 anos, o Natal não voltou a ser igual. Sobretudo […]

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Christmas blues ou quando o natal não é sinónimo de alegria

Christmas blues - fazer a árvore de natal sozinha

Há o blues pós-parto e para mim há o christmas blues. Sim, é um nome fancy, mas já que resulta em tristeza, deixem-me ter a alegria de lhe poder dar um nome fancy. Sei que não sou a única no mundo, infelizmente. Por isso decidi fazer um post para vos falar mais desta experiência (nada positiva) que tenho ano após ano por volta de Novembro e Dezembro. NOTA: Este artigo não tem qualquer tipo de base científica. Não sei se existe realmente alguma coisa chamada Christmas Blues (à parte do anúncio da lotaria espanhola que encontrei quando estava a fazer o post). SEGUNDA NOTA: afinal existem mesmo alguns artigos sobre isto, alguns até parecem mais ou menos credível (deixo-vos este do WebMD, algo mais credível que podem consultar se estiverem interessados no tema) Mas afinal o que é isso de Christmas blues? Christmas blues ou depressão natalícia é uma tristeza que bate forte cá dentro por volta de Novembro/Dezembro. Tende a ser despoletada cerca de um mês antes do Natal, quando as ruas se enchem de luzes e as televisões de famílias sorridentes e felizes. Afecta pessoas que vivem sozinhas (check), que têm situações familiares complicadas (check) ou que perderam […]

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Namorar depois dos meus pais morrerem

Hoje vou falar de alguém de quem ainda só falei numa linha ou duas, mas que é alguém muito importante. Ao contrário, de outros posts onde falo mais sobre pessoas do passado que permanecem no presente, hoje vou falar de alguém que enche o meu presente. Vou falar de alguém que muitas vezes foi e é a única pessoa a por like nos meus posts e nas minhas páginas e que me apoia sempre em todas as minhas ideias por muito que saiba que depois eu vou ficar sem tempo para nada. Hoje vou falar do meu namorado. Foram muitos os anos em que afastei todo e qualquer rapaz/homem que se aproximasse de mim. Se já era difícil para mim ter relações próximas e estáveis com os meus amigos, mais difícil ainda era conceber a proximidade da relação que teria com um namorado. Até me resolver bem, achava (e bem) que namorar ia acabar por dar para o torto. Filha de pais divorciados, depois dos meus pais terem morrido e a viver sozinha, era uma excelente candidata para relações abusivas e de grande dependência. Não queria, de todo, ver-me metida numa situação que não seria capaz de resolver. Sem os […]

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De só a sozinha?

Será que é possível uma pessoa, ainda por cima uma rapariga, gostar de estar sozinha? Será que não é muito melhor estarmos sempre acompanhados? Será que não aprendemos só a gostar de estar sozinhos quando inevitavelmente não temos ninguém com quem estar? É para responder a esta e a outras perguntas que decidi escrever este post. Considero que, para a idade que tenho (24 anos), já tive uma boa experiência do que é a solidão e do que é estar sozinha. Entre mudanças de cursos, chatices familiares e com os amigos, já passei algumas temporadas mais sozinha que acompanhada. Já passei fins de semana inteiros sem falar com ninguém. E sei que no fim, por muito que custem, esses são momentos que nos fazem crescer incrivelmente. Não é fácil, numa casa vazia confrontamo-nos com tudo o que somos e o que não somos. Numa casa vazia só existimos nós próprios: com os nossos defeitos e as nossas qualidades, não há outro com quem falar, outro que criticar, não há outro. Somos nós, no nosso melhor e no nosso pior. No início, custa encontrarmo-nos a sós, depois custa não termos este espaço só nosso. A primeira vez que fiquei sozinha em […]

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Como comecei a viver sozinha – parte 2 ou Como acabei a viver com a minha gata

… Um pequeno resumo do post anterior, uma vez que este é a sua continuação: aos 18 anos comecei a viver sozinha. Fui morar para o Porto, onde passava por uma normal jovem a estudar fora. Quando mudei de curso regressei a Lisboa e ao início as coisas não foram muito simples. De volta à casa que tinha sido da minha mãe era difícil senti-la como minha. A organização não fazia sentido, agora que só vivia ali uma pessoa. Havia uma quantidade enorme de móveis por metro quadrado, ao ponto de alguns amigos meus dizerem que a minha casa mais parecia um jogo de tetris. Não tinha especial apreço pelo estilo dos móveis ou pelos cortinados às flores. O quarto era o único espaço que sentia como meu (tinha sido redecorado na minha adolescência), por isso era por lá que ficava quando estava em casa. Entretanto comecei o curso de psicologia. Na faculdade temos acesso a psicólogos a um preço mais acessível, por isso decidi consultar uma. Sabia que havia coisas que sentia e problemas que tinha que não se iam resolver sem ajuda profissional e, agora que estava em psicologia, sabia que isso ia por o meu trabalho em causa. Lá fui e por muito […]

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