#22 – Um manifesto anti-“o que te vês a fazer daqui a 5 anos?”

dia 22

Como as pessoas que me conhecem ou que leiem o blog sabem estou a chegar ao fim do meu mestrado. Depois de ter passado 5 anos a estudar psicologia, depois de querer tanto que este momento chegasse, ele finalmente chegou. E não é que esteja super feliz que ele tenha chegado: adorei a minha benção, adorei este último ano em que não temos aulas, mas seminários. Mas a verdade é que o que vem a seguir é desconhecido e por muito que tentemos planear todos os detalhes, o que vai acontecer a seguir escapa em larga escala ao nosso controlo. Os meus dias são passados a imaginar cenários. Se entrar no Doutoramento vai ser assim. Se não entrar vai ser desta outra forma. Entretanto surgem outras ideias, outros sonhos. E se isto afinal não for o caminho certo? A verdade é que a vida já me ensinou que todo o tempo e recursos cognitivos que perco a pensar nestas coisas são muito pouco útei, para não dizer que não servem mesmo para nada. Acontece o que tiver que acontecer. Os planos normalmente nunca se realizam porque há uma série de outros factores que não conseguimos ter em conta. Várias vezes […]

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#18 – quando gostas de teoria, num mundo que só gosta de prática

dia 18

Este é o meu drama mais recente desde que comecei a pensar em seguir a área de investigação. Sempre gostei de teoria, mas sempre pensei que iria aplicá-la à prática. Como qualquer pessoa que gosta de teoria, consigo fazer mil aplicações e ligações à prática, mais não consigo ver a prática sem teoria e para mim prática sem teoria é algo que não sentido. Se no início ainda me esforçava por demonstrar a aplicação prática e a utilidade, passados alguns meses, vencida pelo cansaço, limito-me a deixar os outros ficarem com a ideia de que o que eu faço é irrelevante. Gasto menos as minhas cordas vocais e no fim as pessoas ficam com a mesma ideia. Sempre fui uma criança e aluna dos porquês. Não me chega saber que a terra é redonda, eu quero saber o porquê. Não me chega saber que nós temos uma tendência para estereotipar, eu quero saber porquê e como. Não me chega saber que me tenho que atirar para fazer um rolo, eu quero perceber minimamente a física do movimento, pior enquanto não perceber qual é a lógica não o vou conseguir fazer. O mesmo com o yoga, com a cozinha, etc, etc. […]

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#15 – porque é que as entrevistas nunca correm bem?

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Até hoje não fiz muitas entrevistas (quer dizer, como entrevistadora até já fiz algumas), como entrevistada foram talvez 5, nenhuma delas para um trabalho pago e só uma para um estágio curricular. Fiz algumas para programas de voluntariado e hoje fiz uma para uma pós-graduação a que me candidatei. Até chegar ao 5º ano da faculdade (o ano em que estou agora), as entrevistas sempre foram uma coisa simples para mim. Muitas dela nem sequer eram entrevistas de selecção, eram entrevistas só para verificar se havia um match e mesmo as de selecção, cheguei lá disse o que tinha a dizer, respondi com honestidade e um sorriso e vim-me embora. Fui sempre chamada a seguir por isso tinha a percepção de que até tinha jeito para a coisa. Com o aproximar da vida profissional, as entrevistas começaram a deixar-me nervosa. Uma parte do meu curso é o Recrutamento e Selecção. Sei perfeitamente que quem está a recrutar não está ali para nos “lixar”, só queremos conhecer os candidatos. Nem sequer temos interesse em saber quem é o melhor, mas sim qual é o que se ajusta melhor ao lugar. Não se procuram génios, é algo muito mais abstracto, procuram-se pessoas com […]

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#3 Tomar decisões difíceis

Todos os dias temos que tomar decisões. Umas são coisas simples como “o que vamos comer ao almoço”, outras como “que curso vou escolher” são bastante mais complexas e, por vezes, nem sequer temos 100% de certeza de que a nossa escolha é acertada. Se forem como eu, as primeiras apresentam como difíceis (não sou muito boa a decidir), as segundas como verdadeiramente angustiantes. Especialmente nos momentos de tomar decisões difíceis tento recorrer a todas as estratégias que me ajudem a pensar na direcção certa a tomar. Este é o post #3 do desafio 25 anos, 25 posts (aqui podes ver a lista completa de posts) No último ano, já tive a minha mão cheia de decisões difíceis e acho que nos próximos tempos a tendência será para continuar assim. Umas são mais difíceis que outras, algumas têm tantos condicionantes que quase nem são decisões. É importante, sermos capazes de tomar as decisões. Ou seja, não deixar a coisa arrastar-se até ao ponto em que alguém toma uma decisão por nós. É a nossa vida, convém que pelo menos de vez em quando tomemos as rédeas e lhe demos alguma direcção. Há algumas estratégias que podemos adoptar que facilitam a coisa, mas na […]

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Quando o medo de falhar nos faz falhar

fear of failure

Há pessoas que lidam bem com as falhas, há pessoas que não as suportam. Quando falho consigo fazer disso uma aprendizagem, mas há certas situações em que tenho tanto medo de falhar que se torna quase certo que vou falhar. O problema com o medo de falhar é que quanto mais medo se tem de falhar, mais certo é que se falhe. Longe de mim dizer que quem não tem medo de falhar não falhe, falham na mesma. Mas enquanto não se falha, não se aprende e enquanto não se aprende não se consegue parar de falhar. Isto aconteceu-me no início do estágio. Era mesmo importante para mim ser capaz de fazer as coisas bem que acabava por não conseguir fazer nada bem. Tinha tanto medo de errar que demorava imenso tempo a fazer qualquer coisa. Demorava demasiado a verificar com alguém o que já tinha feito. E pronto um mês de desastre. Entretanto lá percebi e lá eles compreenderam que eu era estagiária e que ainda estava a estudar. E que era suposto não saber as coisas. Aqui, como em tantos sítios as pessoas andam sempre a correr e muitas vezes não sabem bem o que pretendem obter quando […]

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6 dicas para sobreviver a 8 horas de trabalho

Quando começamos a estagiar/trabalhar  passamos de seres livres que habitam uma faculdade no horário que lhes apetece para pessoas que se sentam à frente de um PC das 9h30 às 18h30. Quando inicialmente pensei neste post, tinha programado falar sobre coisas que podemos fazer durante essas oito horas para que a experiência seja mais agradável. Porém, depois de um mês e meio de estágio acho que a resposta está nas outras 16 horas e dois dias (no meu caso três) de descanso que a semana nos oferece. Uma nota para dizer que para além das 8 horas de trabalho tenho mais cerca de 3 horas de viagens entre a minha casa e o trabalho, o que na realidade reduz as 16 horas a 13. Como nunca tive carro e nem sei o que é não andar de transportes, já estou habituada a utilizar essas 3 horas de forma produtiva para ler, rezar, rever coisas da faculdade e, ultimamente, para actualizar as redes sociais do blog, editar imagens e rever posts. Para mim, foi horrível ver-me fechada num escritório. Não que não goste do meu trabalho ou que tenha claustrofobia, mas porque realmente não estava habituada. No colégio se fosse preciso ficava […]

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Como ganhar experiência antes de ter o primeiro trabalho

Muita gente pensa que tem que esperar pelo fim do curso para começar a ganhar experiência e para começar a trabalhar. O problema é que para encontrar estágios, e mesmo um trabalho, temos muitas vezes que já ter algum tipo de experiência, mais que não seja para nos destacarmos. Obviamente que, em algumas áreas, não é possível começar a exercer antes de acabar o curso (é o que acontece em psicologia, a minha área). Então o que é que podemos fazer? Tudo e mais alguma coisa. A única coisa proibida é fazer exclusivamente o curso e passar três/cinco anos sem ter uma única experiência fora da sala de aulas. Tenho 24 anos e nunca tive um trabalho, ou pelo menos, um trabalho pago. Sempre senti a responsabilidade de receber uma pensão para poder estudar e sempre tive a completa noção que tinha que aproveitar ao máximo este tempo para me desenvolver o mais possível e para ser útil à sociedade. Quem me conhece sabe que ando sempre a correr de um lado para o outro. Isto começou provavelmente no secundário e tornou-se em algo que faz parte de mim desde que entrei para a faculdade. Lembro-me de estar na primária […]

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Ansiedade pré-estágio

Estou a apenas algumas horas de começar o meu estágio. Nestes últimos dias de férias tenho sentido um misto de emoções: tristeza por ver as férias a acabar, alguma “excitação” por ir começar uma nova fase da minha vida e ao mesmo tempo algum receio de algo completamente novo. Depois de mais de duas décadas a estudar e com apenas algumas experiências pontuais de trabalho e/ou voluntariado, a verdade é que nunca tive um trabalho. Pelo menos nunca tive um trabalho das 9h às 18h com uma hora de almoço e colegas e um posto de trabalho. Como eu, acho que a maior parte dos jovens da nossa geração nunca trabalharam antes de chegar ao estágio (seja ele curricular, profissional, etc). É um marco nas nossas vidas. A seguir a um estágio, vem geralmente um trabalho e depois mais outro e mais outro (de preferência estabilizamos nalgum deles) até chegarmos à reforma. Já não há mais voltar atrás. O curso acaba. A vida profissional começa e inevitavelmente crescemos e tornamo-nos responsáveis por nós próprios. Já não podemos faltar porque não nos apetece aturar uma reunião chata ou sair mais cedo porque é Maio e está um lindo dia de sol. […]

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