Como comecei a viver sozinha – parte 2 ou Como acabei a viver com a minha gata

Um pequeno resumo do post anterior, uma vez que este é a sua continuação: aos 18 anos comecei a viver sozinha. Fui morar para o Porto, onde passava por uma normal jovem a estudar fora. Quando mudei de curso regressei a Lisboa e ao início as coisas não foram muito simples.

De volta à casa que tinha sido da minha mãe era difícil senti-la como minha. A organização não fazia sentido, agora que só vivia ali uma pessoa. Havia uma quantidade enorme de móveis por metro quadrado, ao ponto de alguns amigos meus dizerem que a minha casa mais parecia um jogo de tetris. Não tinha especial apreço pelo estilo dos móveis ou pelos cortinados às flores. O quarto era o único espaço que sentia como meu (tinha sido redecorado na minha adolescência), por isso era por lá que ficava quando estava em casa.

O meu quarto
O meu quarto
Entretanto comecei o curso de psicologia. Na faculdade temos acesso a psicólogos a um preço mais acessível, por isso decidi consultar uma. Sabia que havia coisas que sentia e problemas que tinha que não se iam resolver sem ajuda profissional e, agora que estava em psicologia, sabia que isso ia por o meu trabalho em causa. Lá fui e por muito que às vezes me custe, sei que foi uma decisão acertada. É um processo longo e demorado, mas acho que vale mesmo a pena.
Com o tempo, comecei a aceitar melhor o facto de viver sozinha e a tentar aproveitar o espaço e a localização da casa (perto da praia): gostava de estar sozinha com os meus pensamentos, ia ver o mar sempre que podia, lia, pensava na vida, estudava psicologia. A pouco e pouco fui começando a encontrar algum equilíbrio.
Eu e o mar
Eu na praia onde costumo ir passear
Nos meus passeios pela praia, via os surfistas e o bodyboarders e pensava que queria ser como eles: poder estar dentro de água o ano inteiro. Foi assim que me inscrevi numa escola de Bodyboard (as boogie chicks) e fiquei completamente viciada. Tive uma altura em que ia surfar cerca de quatro vezes numa semana, o que era espectacular. O bodyboard tirava-me da casa e da solidão em que me tinha instalado. O desporto ajudava-me a sentir-me menos triste e mais tranquila. O mar fez-me bem às alergias e à asma. Também comecei a fazer yoga (mais precisamente ashtanga yoga) que me ensinou literalmente, a respirar melhor.
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Eu numa aula de Bodyboard na Praia de Carcavelos com as Boogie Chicks
Entretanto surgiu mais uma personagem na minha vida: a pipoca. A pipoca é uma gata que chegou a mim com 3/4 meses. Tinha sido resgatada num parque de estacionamento no Algarve por uma amiga minha. Ela não podia ter mais animais. Eu queria um gato e depois de alguma hesitação, acabei por ficar com ela. Passou a ser a minha companheira, embora no início não tenha ficado muito feliz de ver as minhas coisas constantemente destruídas. Nunca tinha tido animais de estimação e fiquei surpreendida como é que uma bola de pelo que passa o dia a dormir e a saltar de um lado para o outro pode fazer tanta companhia a uma pessoa. Chegar a casa e ter outro ser vivo à nossa espera, ainda que seja um animal, é espectacular!
A pipoca a dar-me um beijinho
A pipoca a dar-me um beijinho
Entretanto fui de erasmus para Itália, onde acabei a partilhar quarto com uma colega da faculdade, no início foi complicado: tinhamos horários opostos (eíu gosto de acordae cedo e ela de se deitar tarde), tinhamos hábitos diferentes e cada uma tinha as suas manias. Depois, acabámos por nos habituar uma a outra e foi como viver com a irmã que nunca tive. Por outro lado, naquela casa ganhei, finalmente, o interesse e o gosto de cuidar da casa: com o tempo livre e sem muitas tralhas (limitadas à bagagem que a TAP nos permitiu levar) tinhamos sempre tudo limpo e arrumado e, com pouco dinheiro de sobra, de vez em quando dedicavamo-nos à decoração DIY. Foi lá que comecei a ler uma série de blogs sobre organização e limpezas em casa, que ainda hoje sigo. E também foi ainda em erasmus, há quase dois anos  que surgiu pela primeira vez a ideia deste blog.
Eu e a Beatriz em erasmus
Eu e a Beatriz em erasmus
De regresso aa Portugal, dei uma volta a casa, deitei grande parte da tralha fora e troquei/ vendi os móveis enormes que tinha, arranjando uma decoração que deixasse mais espaço livre para estarem lá pessoas! O processo de remodulação continuou com obras no Verão e, embora ainda haja muito por fazer, acabou por se dar um ponto de viragem, onde finalmente senti a casa como minha, como o meu lar.
Quando regressei de Erasmus também comecei a namorar, o que também mudou muita coisa, mas isso fica para outro post!

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