6 dicas para sobreviver a 8 horas de trabalho

Quando começamos a estagiar/trabalhar  passamos de seres livres que habitam uma faculdade no horário que lhes apetece para pessoas que se sentam à frente de um PC das 9h30 às 18h30. Quando inicialmente pensei neste post, tinha programado falar sobre coisas que podemos fazer durante essas oito horas para que a experiência seja mais agradável. Porém, depois de um mês e meio de estágio acho que a resposta está nas outras 16 horas e dois dias (no meu caso três) de descanso que a semana nos oferece.

Uma nota para dizer que para além das 8 horas de trabalho tenho mais cerca de 3 horas de viagens entre a minha casa e o trabalho, o que na realidade reduz as 16 horas a 13. Como nunca tive carro e nem sei o que é não andar de transportes, já estou habituada a utilizar essas 3 horas de forma produtiva para ler, rezar, rever coisas da faculdade e, ultimamente, para actualizar as redes sociais do blog, editar imagens e rever posts.

Para mim, foi horrível ver-me fechada num escritório. Não que não goste do meu trabalho ou que tenha claustrofobia, mas porque realmente não estava habituada. No colégio se fosse preciso ficava praticamente o mesmo número de horas numa sala de aula, mas 7 anos depois já não estou habituada a isso. Por outro lado, o meu colégio era mesmo ao lado da praia, o que significava que todas as horas de almoço em que não chovesse podíamos ir à praia ou até aos jardins do Casino do Estoril. Era uma óptima vida.

Em Psicologia, normalmente só tinha aulas de manhã, com uma ou outra aula à tarde. Sempre me consegui organizar para fazer montes de coisas, incluindo experiências mais profissionais (vê este post), desporto, etc.

Para além disso, eu estudo psicologia social e das organizações (uma grande parte tem a ver com Gestão de Recursos Humanos – GRH). Considero-me uma entusiasta das políticas mais inovadoras de GRH que defendem os dias com menos horas de trabalho e um maior equilíbrio entre família e trabalho. Acredito profundamente que não vale a pena matarmo-nos a trabalhar e não ter vida pessoal, nem familiar, nem hobbies. Como falei no post sobre o Diário de Bridget Jones, muitas mulheres que quiseram investir nas suas carreiras e deixaram para depois os filhos e os amigos, acabaram por perder o barco. Acho que a chave está no equilíbrio e acho que ele é possível.

Para além de serem óptimas medidas para os trabalhadores, a investigação tem comprovado que este tipo de políticas, ditas inovadoras, estão associadas a uma maior produtividade. Acho que a maior parte do trabalho podia ser feito em muito menos tempo e prefiro muito mais os horários dos países nórdicos que começam mais cedo e trabalham menos horas. O resultado é uma hora de saída mais simpática e um maior equilíbrio com a vida pessoal, que conduz a uma maior satisfação e, logo, a uma maior produtividade.

Depois de um mês de confronto diário com a realidade, acabei por perceber que não podia lutar contra as oito horas. Então o que podia fazer? Como um professor meu costuma dizer: “só conseguimos mudar aquilo que podemos controlar” e eu tenho francamente muito pouco controlo sobre aquelas oito horas. No entanto, existem 16 horas do meu dia sobre as quais o controlo é quase totalmente meu.

Voltando um pouco atrás, cheguei ao fim de Setembro completamente exausta, acordava como se tivesse de ressaca, embora na realidade não me tivesse sequer deitado tarde. E estava a sentir-me cada vez pior. Graças ao feriado do 5 de Outubro, consegui finalmente repor o meu descanso. Mais do que horas de sono, às vezes, preciso de uns dias em que consiga por ordem no que tenho para fazer e dar vazão à minha to-do list, com tempo à mistura para ver umas séries e estar embrulhada no sofá. Bem neste feriado, consegui fazer isso e feito o reset aos níveis de cansaço, assumi outra perspectiva.

Comecei a tentar marcar jantares e outras coisas à noite, depois do trabalho. Tentei ir mais as actividades de um grupo católico a que costumo ir. Vou à natação e ao bodyboard sempre que consigo. Tento manter o blog actualizado e fazer as minhas coisas da POWER. O fundamental é tentar que estas outras horas sejam agradáveis, sem nos esforçarmos demasiado, estão a perceber?

Eu não fiz um plano com todas as actividades que seriam boas para o meu bem estar e não me obriguei a segui-las militarmente.  Na realidade, isto foi o que tentei no início. Depois fiz uma segunda tentativa, desta vez com a rotina de sono da Arianna Huffington. O resultado nunca foi muito positivo.

Vou-vos então deixar com alguns truques que penso que podem ser úteis. Mas tenham em mente que isto não é uma to-do list e que não é suposto fazer tudo desta forma. Encontrei dicas que possam fazer a diferença para vocês e tentem mudar pouco a pouco.

1. Sobre as relações com amigos, família e namorado

Um belo exemplo, foi um jantar de super heroi(na)s que fui recentemente
Um belo exemplo, foi um jantar de super heroi(na)s a que fui recentemente

1.1. A dica número UM e a mais importante de todas é nunca deixarem de arranjar tempo para o que é mais importante. Para mim essas coisas são o meu namorado, os meus amigos, os meus padrinhos, a minha fé e fazer desporto. Estas são as coisas que quando estou com muito trabalho se tornam difíceis de manter porque embora sejam importantes não são urgentes. Mas na realidade, não só deviam ser uma prioridade como são aquelas que me dão muito mais equilíbrio para conseguir trabalhar melhor.

1.2. Passo assim para a dica número dois, tentar aproveitar as noites e fins de semana para as pessoas que são importantes, TODAS. Não só para o meu namorado, que me chateia a toda a hora quando estou sem tempo, mas para aqueles que não me chateiam tanto, como os meus padrinhos ou os meus amigos. Tenho notado a diferença que faz ir tendo os jantares, cafés, etc.

1.3. Número três, embora seja super importante ter tempo para todos, é MUITO importante não deixar de ter tempo para o meu namorado. Ambos vemos a nossa relação a longo prazo e não podemos deixar de investir nela. Isto foi difícil para mim, mas já trata-se de encontrar tempo, arrumar melhor a agenda e ter isso como prioridade.

2. Sobre as rotinas e estilo de vida

Ultimamente tenho ido mais a natação, mas como não tenho fotos da natação... vocês percebem
Ultimamente tenho ido mais a natação, mas como não tenho fotos da natação… vocês percebem

2.1. Tomar banho à noite e ter a roupa escolhida para demorar o mínimo tempo possível de manhã, embora ainda exista muito espaço para melhoria neste ponto

2.2. Fazer desporto. Sempre odiei educação física, mas descobri que ADORO fazer desporto e que nada produz uma melhoria mais evidente na minha saúde física e mental do que o desporto. Com tanta coisa para fazer, nem sempre era fácil ir ao bodyboard, por isso inscrevi-me na natação. Uma questão importante é sermos capazes de nos adaptar. Depois do ano passado quase não ter feito desporto, acho que esta foi uma óptima solução.

2.3. Uma parte importante passa também por tentar organizar-me. Como tenho os projectos de investigação (i.e. tese), a POWER e o blog é fácil estar sempre a trabalhar e acabar por nunca descansar. No último fim de semana, tive sempre a trabalhar, mas o truque aqui está em tentar trabalhar durante um tempo e descansar no outro. Por exemplo, quando chego a casa faço jantar e janto a ver televisão, relaxo um pouco. Depois pego no pc e trabalho até ir dormir. Pode parecer horrível na mesma, mas garanto que faz toda a diferença ter entre 30 minutos e 1 hora para relaxar.

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