Leituras de Verão: o Diagrama de Venn

review o diagrama de zenn

Quando compramos um livro algo nos atrai para ele. Não sabemos bem o quê. Vemos a capa. Lemos o resumo, às vezes alguns excertos (quando era pequena costumava ler a última frase), mas a verdade é que não sabemos como vai ser. Por vezes, entusiasmamo-nos e quando começamos a ler temos uma grande desilusão. Outras vezes o livro supera as nossas expectativas.

Escolhi este livro porque achei engraçado que alguém decidisse misturar matemática num romance para adolescentes (eles que tanto a odeiam). A protagonista é uma nerd que adora matemática e que, como a maior parte dos adolescentes, se sente algo desenquadrada. Para ajudar tudo ela tem visões: umas que a ajudam nas suas explicações (porque lhe mostram as dificuldades dos seus pupilos), outras que acontecem sempre que toca nas pessoas ou nos seus objectos pessoais e que lhe dificultam a vida porque lhe mostram o turbilhão de emoções e problemas em que cada pessoa vive.

livro o diagrama de zenn

O livro chama-se diagrama de Venn, porque o rapaz por quem a protagonista se apaixona se chama Zenn, “como o diagrama de Venn”. No início os seus dois círculos “quase não se sobrepunham”, mas no fim percebem que têm muito mais em comum do que pensavam.

o diagrama de venn
Um dos meus pormenores preferidos: um pequeno diagrama de venn junto do número da página

O livro é um romance juvenil, ou na categoria de jovens adultos. Uma categoria que me traz sempre boas surpresas com livros simples e despretensiosos e histórias cativantes. Este não ficou atrás. Estava hesitante com a história das visões, normalmente não gosto de livros que me parecem pouco reais e com o facto de anunciarem um romance com uma “pitada de magia”. Mas as visões são faladas como algo que faz diferir esta jovem dos outros e que a impede de relacionar-se da mesma forma com os outros. O facto de ela ser apaixonada pela ciência e querer fazer um doutoramento em neurociências, também me ajudaram a criar mais empatia que ao longo das páginas fui percebendo ser muito maior do que pensava nas primeiras páginas.

Por entre explicações de matemática, ajudar a cuidar dos 4 irmãos gémeos de 3 anos, preencher candidaturas à faculdade e paixonetas de adolescente, desvenda-se um passado pesado dos dois personagens de 18 anos que têm uma bagagem difícil de prever nas primeiras páginas e uma responsabilidade superior à média.

O romance entre os dois vai-se construindo ao longo das páginas, não é a coisa mais súbtil, mas vai acontecendo e crescendo ao longo das páginas de uma forma bonita e simples. O facto de ela não poder tocar nas pessoas (para não ter as tais visões) torna tudo mais engraçado, sobretudo no início da relação (não me vou explicar melhor para não spoilar ninguém).

Gosto sempre das histórias de adolescentes menos integrados e que não têm medo de ser diferentes. Por um lado, porque nunca fui uma criança/adolescente muito integrada, mas também porque cada vez mais acho que não devemos ter medo de ser diferentes, ou de ser estranhos, de sermos como somos, e pronto. Quem gosta, gosta. Quem não gosta, não gosta. Ainda me lembro quando andava no 3º ano e dizia a toda a gente que não gostava de matemática porque achava que não era suposto as crianças gostarem de matemática. Depois, nos intervalos, eu e a minha melhor amiga fazíamos os livros de exercícios de matemática nos intervalos como se fossem aqueles livros com jogos para crianças.

É uma leitura leve de Verão, com algumas reflexões interessantes escritas pelas pravas simples de uma adolescente que observa atentamente o mundo à sua volta, mas que acaba por ter alguma dificuldade em se integrar nele. Se já leram este livro ou se estão a pensar em ler deixem-me as vossas opiniões ou dúvidas.

Algumas das minhas passagens preferidas

o diagrama de venn

o diagrama de venn

o diagrama de venn

Deixe uma resposta