Este ano vou #1 – Ler mais

ler mais em 2017

Uma das minhas resoluções para este ano foi ler mais. O meu objectivo era e é tentar ler uns 20 livros durante este ano. Pelas contas que fiz no ano passado li menos de 10 livros, o que já foi muito melhor do que no ano anterior, mas acho que ainda há espaço para evoluir. Mais do que o número de livros, quero recuperar o meu gosto pela leitura, que em tempos era a minha melhor amiga.

livros 2016
Alguns dos livros que eu li em 2016. Falta, que me recorde, a Confissão da Leoa e Procrastination Equation

Algures na primária, quando já conseguia juntar mais que umas letras e formar frases completas, comecei a desenvolver uma paixão pela leitura. Em minha casa não existiam muitos livros para crianças e, por isso, cada nova leitura, exigia a compra de um novo livro. Lembro-me de um Verão em que a minha mãe me comprava um livro de “Uma Aventura” por semana. Eu lia-o numa tarde e esperava que voltasse a ser segunda-feira outra vez. Também desde pequena que sempre fui esquisita, não lia qualquer coisa. Se não gostasse do livro, arrastava a sua leitura durante meses, enquanto intercalava outros livros mais interessantes. Mais tarde, comecei a deixar estes livros para ler, porque a vida é demasiado curta para lermos coisas que não queremos ler. Para além disso, vim a descobrir que livros que desprezo num momento, posso achar muito interessantes noutro, por isso às vezes é mais uma questão de esperar pelo momento certo.

A verdade é que com as horas de estudo e leitura que o secundário (e depois a faculdade) passaram a exigir, a minha vontade de ler foi diminuindo. Passava tantas horas do meu dia a olhar para letras, palavras, linhas. Provavelmente, nessa altura lia mais do que em qualquer outra fase da minha vida. Mas muitas vezes também lia os mesmos textos vezes sem conta (estou a exagerar um pouco, porque na realidade eu abomino ler mais que uma vez a mesma coisa, por isso mais depressa começo a fazer esquemas e apontamentos dos apontamentos do que estou para ali a ler repetidamente a  mesma coisa). Mas pronto, a vontade de ler livros diminuiu.

Acho que é compreensível que quando passamos o dia a ler, ler e ler mais, a nossa atividade de lazer não seja ler outra vez. Mas a verdade é que quando estava (realmente) de férias, quando estive (3 meses) em Moçambique e agora que estou a estagiar, o bichinho de ler volta a despertar. Quando fui para Moçambique, esqueci-me de levar alguns livros para ler e nem fazem ideia, passando um mês ou assim a falta-me que fazia ler. Fazia-me falta aprender coisas novas, conhecer mundos novos e o próprio acto de me sentar a olhar para o papel a ler, só a ler.

É difícil explicar isto ao meu namorado, que adora ler (mesmo em épocas de estudo e afins). Mas quando chego ao fim do dia depois de horas a ler no PC ou em papel, dói-me a cabeça e a ideia de olhar para mais letras faz-me mais dores de cabeça (e não, acho que não tenho problemas de visão). Mas eu gosto mesmo de ler. Gosto de vários géneros, mas normalmente gosto de um de cada vez: tenho fases em que devoro romances, outras em que prefiro livros de divulgação científica, jornalísticos, ou de história, outras em que procuro a adrenalina de um triller (que me deixa bem mais desconcertada do que um filme do mesmo género) e por aí fora.

Agora estou numa fase em que tenho muita vontade de ler. Sei que este ano vou ter mais tempo para ler. Mas não quero esperar pelo fim do estágio para começar. Aliás, foi precisamente durante o estágio que voltei a recuperar este hábito, exactamente como o tinha ainda nos primeiros anos da faculdade: ando sempre com um livro na mala e sempre que consigo vou pegando nele. No comboio, à hora de almoço ou numa sala de espera, saco do meu livro e leio mais umas páginas. Demora o tempo que demorar a chegar ao fim.

Normalmente, sempre que acabo um livro preciso de algum tempo antes de recomeçar outro. Tento absorver o livro que li, pensar e reflectir sobre o que acabei de ler, ver como é que aquilo se encaixa na visão que tenho do mundo. Os melhores livros não se encaixam, os melhores livros são armas poderosas capazes de abalar as nossas crenças e de nos empurrar para mudar. Às vezes um livro leva-nos a mudar um hábito, normalmente quando leio livros que nos empurram para a mudança de comportamentos, tento mudar só uma coisa pequenina, já sei que tentar tornar-me vegan ou minimalista num dia não é para mim, porque no dia a seguir não fica cá nada, por isso é preferível comprometer-me a comer carne menos uma vez por semana ou a arrumar aquele cantinho cheio de papéis amarrotados, e pouco a pouco se essa mudança fizer sentido, ela vai permanecer e vai desenvolver-se.

Voltando ao tema dos livros (não que tenha saído dele, de que serviria ler se não nos fizesse crescer), depois este processo reinicia-se: escolho um novo livro, passo a trazê-lo comigo e vou lendo com calma, sem pressas e pouco a pouco o meu número de livros lidos vai crescendo.

Este ano, gostava de aproveitar esta renovada vontade de ler para ver se consigo ler pelo menos um livro por mês. Alguns dos livros que quero ler este ano serão um grande desafio, mas estou cheia de vontade para começar.

São apenas alguns. Destes já li a utopia de Thomas Moore e em breve vou escrever aqui uma review.

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4 comentários

  1. Sempre li muito, muito mesmo. Aliás, nos tempos de escola e faculdade era quando lia mesmo muito, chegava a ler centenas de livros por ano, para me desligar do cansaço dos estudos. Sim, centenas, é verdade, nessa altura era capaz de pegar num livro tipo o Drácula ou O Monte dos Vendavais e ler isso numa tarde. Hoje em dia leio bem menos, porque durante o dia não tenho tempo, leio á noite quando me deito, cerca de vinte minutos, meia hora. Mas o gosto pela literatura manteve-se, ao ponto de saber que jamais seria feliz a fazer outra coisa que não escrever livros. O amor por eles não diminuiu, na verdade cresceu e muuito. Só tenho pena que realmente seja um luxo hoje em dia ler, o preço dos livros é mesmo de fugir, aliás não é de agora, lembro-me que lá pelos vinte anos comecei a ler só em inglês porque os livros eram bem mais baratos no original – pois, raramente leio algo que não seja literatura escrita em inglês! – do que na versão traduzida. Mas até esses noto que houve um brutal aumento de preço nos últimos anos, infelizmente.
    https://bloglairdutemps.blogspot.pt/

    1. Sim o preço dos livros tem subido mesmo muito, eu também comecei a arranjar livros em inglês, a aproveitar feira do livro e promoções. Muitas vezes leio livros emprestados, por amigos ou bibliotecas, isso também ajuda. Beijinhos, Mafalda

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