Mudar para a cidade para ter uma vida mais calma

viver na cidade
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Desde pequena, sempre ouvi dizer que para ter uma vida mais calma, as pessoas se mudavam para fora dos centros urbanos. Em casos extremos, para o campo. Na impossibilidade de ir para o campo ou para uma cabana ao pé do mar, as pessoas mudavam-se para as zonas residenciais/perifaria/suburbanas.

Desde os 6 anos que vivo numa, a “linha”. No início, não achei muita piada a separar-me dos meus amigos e não conseguia perceber a piada de ir olhar para o mar todos os fins de semanas, foram frequentes as birras do tipo “estou farta de ir à praia”. Birras parvas à parte, a verdade é que hoje em dia, orgulho-me de dizer que sempre que saio de casa vejo o mar e que consigo chegar à praia a pé. Vivendo numa vila “pequena” a calma é outra, mas não é só maravilhas.

Todos os dias são horas infinitas passadas nos transportes, uma dor que para mim se tornou mais intensa quando comecei a estagiar. Com um horário das 9h30 às 18h30, uma pessoa sai de casa às 8h30 e volta às 20h (num cenário bastante positivo). Se às 12 horas que está em casa, tirarmos 8 para dormir, 1 para jantar e 1 para a rotina minal, ficam umas escassas duas horas com as quais é suposto termos uma vida. Com este ritmo, não há quem chegue com energia ao fim de semana e este acaba por ser passado em recuperação para a semana que irá começar.

Comecei a ficar um bocdo desanimada com a perspectiva de vida. Se é verdade que ao fim de uns meses uma pessoa até se adapta e começa a aproveitar melhor as duas horas extra ao fim do dia e a usar o fim de semana de forma mais constructiva, também é verdade que ainda assim a situação não é ideal. Em Portugal, é tudo agravado pelo fantástico horário que se inicia às 10 da manhã. Preferia muito mais um horário “nórdico” das 8h às 16h/17h, porque para além de acreditar em dias de trabalho que começam mais cedo e nos permitem aproveitar uma parte da tarde, também não acredito em pessoas productivas que passam 9 horas a trabalhar (não vou entrar no mito da hora de almoço).

Pode parecer um contra-senso mas acredito que viver no centro da cidade nos permite ter uma vida mais calma.

Bem, mas não é sobre a estupidez das 8 horas de trabalho que vos quero falar hoje. Hoje quero falar sobre, na impossibilidade de alterar o horário de trabalho convencional, adoptar uma estratégia que nos ajude a ter mais tempo: mudar para o centro da cidade. Pode parecer um contra-senso mas acredito que viver no centro da cidade nos permite ter uma vida mais calma.

Ora vejam, cortam-se as longas horas nos transportes ou no trânsito e corta-se o stress envolvido com atrasos nos transportes, businadelas, ultrapassagens e afins. Ganham-se horas de sono e tempo para fazer outras coisas que gostamos. Sempre admirei os países europeus, onde as pessoas vão beber um copo ao fim do dia, uma prova que de segunda a sexta não temos que viver só para o trabalho. Respira-se mais ar poluído é verdade, mas também se respira de alívio quando acabamos o dia de trabalho e não nos espera uma épica viagem de 1 ou 2 horas de regresso a casa.

No meu caso, chegar a casa às 20h é um desastre, porque acabo por estar muito desperta e ao mesmo tempo cansada. Por isso, quando chego quero ir descansar um pouco, ver uma série ou só descansar. O jantar atrasa-se e depois quem é que tem vontade de se deitar de barriga cheia. Conclusão para uma pessoa que precisa de dormir imenso (não vivo sem pelo menos 7 horinhas diariamente e 9 nas alturas em que ando mais cansada), acabo a dormir pouco e mal (por estar desperta e cheia), o que torna tudo mais difícil. O meu pico de sono é às 21h30/22h (é um pouco ridículo, eu sei). E respeitá-lo é algo que me ajuda a ter energia. Por outro lado, como sou mais matutina e tenho uma tendência horrível para me levantar cedo, não me ajuda muito poder ir trabalhar tarde (para mim as 10h é tarde, ok?). Se me deitar tarde, durmo mal e acordo à mesma hora. Chegar a casa mais cedo e conseguir antecipar tudo isto e com muitas horas disponíveis para dormir, acho que pode ser definitivamente uma mais valia.

Senti muito isto quando vivi no Porto e em Cesena, o tempo que se ganha quando tudo está perto. Ainda assim, é sempre difícil viver longe do meu mar.

No caso de Lisboa, estes últimos tempos trouxeram o problema dos preços das casas. Não é nada fácil encontrar quartos ou casas a preços aceitáveis que uma pessoa em início de carreira consiga pagar. Mas esse era todo um outro post. Ainda assim nada disto deixa de ser verdade, só torna mais difícil fazer a mudança.

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6 Replies to “Mudar para a cidade para ter uma vida mais calma”

  1. Olha acredito que tudo depende do estilo de vida que deseja ter. Viver em uma cidade pequena e buscar emprego na cidade é realmente muito estressante, mas eu ainda prefiro enfrentar muitas horas de transportes durante a semana e no fim de semana ter o meu lugar sossegado em uma cidadezinha.

  2. Sim, claro. Tem tudo a ver com o estilo de vida e procurarmos o estilo de vida que melhor se ajusta às nossas necessidades e desejos em cada momento 😉

  3. Eu vivo ao pé do mar, não muito longe de Lisboa e não trocava por nada, apesar das muitas horas de viagem entre casa e a faculdade. Gosto de estar longe da confusão 🙂

    1. Há bem pouco tempo atrás também diria isso. Acho que depende muito das fases da vida e do estilo de vida que queremos ter. Beijinhos, Mafalda

  4. Preferia viver na Linha do que viver no Centro de Lisboa mas concordo muito com a tua ideia. Acho que um dos maiores stresses que temos na vida não é o trabalho mas sim a ida e volta para o trabalho. Para quem faz 30 minutos com só um transporte ou até vai a pé, acho que é ideal. Mas eu também sou como tu – tinha de usar pelo menos dois transportes e conseguia demorar quase 1h a chegar à faculdade. Para pessoas que moram na linha, e conheço algumas, trabalhar no centro de Lisboa é uma seca pois tens de sair de casa cedo e chegas a casa tarde, o que não ajuda nada a ter vida. Ao cortar nesta comute, acho que poderia ajudar bastante a ter menos stress – mas ainda assim não ter o mar ao pé é uma grande perda 😉

    1. Sim, acho que viver longe do mar é das coisas que mais me custa. Mas ao mesmo tempo com tanto tempo perdido também acabo por não desfrutar dele. E na Lisboa ribeirinha até temos um rio bastante aberto, pelo menos dá para lavar as vistas. Obviamente que preferia mil vezes viver ao lado do mar e demorar 30 minutos a chegar. Sei que há empresas (lá fora) em que o teu tempo de comute conta para o teu horário de trabalho e acho que isso faz todo o sentido.

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