Namorar depois dos meus pais morrerem

Hoje vou falar de alguém de quem ainda só falei numa linha ou duas, mas que é alguém muito importante. Ao contrário, de outros posts onde falo mais sobre pessoas do passado que permanecem no presente, hoje vou falar de alguém que enche o meu presente. Vou falar de alguém que muitas vezes foi e é a única pessoa a por like nos meus posts e nas minhas páginas e que me apoia sempre em todas as minhas ideias por muito que saiba que depois eu vou ficar sem tempo para nada. Hoje vou falar do meu namorado.

Foram muitos os anos em que afastei todo e qualquer rapaz/homem que se aproximasse de mim. Se já era difícil para mim ter relações próximas e estáveis com os meus amigos, mais difícil ainda era conceber a proximidade da relação que teria com um namorado. Até me resolver bem, achava (e bem) que namorar ia acabar por dar para o torto.

Filha de pais divorciados, depois dos meus pais terem morrido e a viver sozinha, era uma excelente candidata para relações abusivas e de grande dependência. Não queria, de todo, ver-me metida numa situação que não seria capaz de resolver. Sem os meus pais, sentia que não tinha ninguém que me protegesse dos “cafagestes” que andam por aí. E como podia ficar cega pelo amor (ou por ter finalmente alguém com quem criar laços), achava melhor nem tentar.

Por outro lado, o facto de ter sido sempre a gordinha da minha turma, não ajudava na minha auto-estima. Tive fases em que achava que era mesmo um monstro e que portanto nenhum elemento do sexo masculino teria interesse na minha pessoa (rapazes a ler este blog, incluindo o meu namorado, por favor façam de conta que não leram isto).

Para além disto, não me via a viver com outra pessoa. Depois de anos a viver sozinha, não sentia necessidade, nem vontade, de partilhar o meu espaço com outras pessoas.

Primeiro passo, foi ter começado a fazer terapia, o que me ajudou a começar a estabelecer melhor relações com as pessoas, quer com pessoas novas que fui conhecendo, quer com pessoas que já estavam na minha vida, mas de quem me tinha afastado.

Outro passo importante, foi começar a fazer bodyboard. Quando ia surfar encontrava sempre outros seres humanos, na maior parte homens e tinha que interagir com eles, isto é, falar. Isto apesar da minha escola ser, na altura, exclusivamente feminina, o que me dava sempre aquele conforto extra de que estava protegida dos parvalhões convencidos (perdoem-me a vulgaridade do vocabulário).

Depois veio a minha gata, outro ser vivo a habitar na minha casa. A destruir-me as coisas, a obrigar-me a ter rotinas, a chatear-me e a aquecer-me os pés.A seguir fui de erasmus para Itália. Tive que partilhar QUARTO. Foi um passo gigante, de viver sozinha para partilhar quarto. Aprendi muito. (todo este percurso está melhor explicado aqui).

E depois voltei. Já conhecia o Miguel, já sabia que ele estava interessado em mim. Eu dizia sempre que não estava interessada. Nas primeiras vezes, afastei-o. Mas depois achei que podia haver ali alguma coisa, e porque não tentar? Fomos conversando, cada vez mais. Ao que apurei depois, eu mandava mensagens de mais. Mas honestamente, não queria saber. Sempre achei que a pessoa certa, não ia deixar de o ser por eu mandar um determinado número de mensagens, ou por me vestir de uma determinada forma ou por fazer isto ou aquilo.

Começámos a namorar fez na terça-feira 17 meses. O Miguel é o meu primeiro namorado e portanto houve muitas coisas que foram difíceis. Eu estava habituada a fazer o que me apetecesse, a ter o meu tempo e o meu espaço. Não costumava convidar os meus amigos a minha casa porque este era o meu espaço, o meu refúgio. Não sabia que coisas devia partilhar com ele ou o que era maçador. Quando ele fazia algo de mal, não sabia se devia não ligar ou se me devia chatear (sob pena de parecer uma totó), sei lá.

É uma caminhada que temos feito em conjunto. Apesar de sermos muito diferentes, incluindo no número de namoros anteriores, temos aprendido muito um com o outro e, sobretudo temos crescido juntos. Com ele sou muito melhor. O Miguel acredita imenso nas minhas capacidades, muito mais do que eu. E sem querer ele puxa-me sempre para dar mais de mim, para ter mais confiança e para arriscar. Quando corre mal, também sei que tenho um ombro onde chorar e isso mudou profundamente a minha forma de estar.

No início, tinha medo de aceitar que agora o tinha a ele, porque ele se podia ir embora e portanto estava sempre a afastá-lo. Numa segunda fase, comecei a aceitar que ele fazia parte da minha vida e que era bom tê-lo na minha vida. Recentemente, começámos a aceitar que realmente queremos estar um com o outro até sermos velhinhos, acho que somos uma grande equipa, muito bons amigos e temos um amor um pelo outro que é muito especial. Não acho que seja daqueles amores de telenovela que arrebatam tudo. Mas é um amor em que nos respeitamos mutuamente e em que queremos ser felizes juntos. Queremos fazermo-nos felizes um ao outro e queremos ser felizes juntos. Se dantes gostava que ele viesse e me mimasse, tenho descoberto que também fico mesmo feliz quando o recebo com mimos ou quando escrevo um post mais cedo, para poder aproveitar melhor o tempo com ele.

São pequenas coisas. Não é morrer por amor, mas é viver por amor. Não é um dia, são todos os dias. São todos os dias a ser feliz, com o meu amor.

Há sempre medos que permanecem junto a mim. Mas tem que ser um dia de cada vez. Com calma, com paciência e com amor.

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11 comentários

  1. Não conhecia o teu blogue… confesso que depois de ler este post li mais uns quantos e em apenas uma hora já tenho uma admiração por ti do tamanho do mundo. <3

    Adorei o texto e tenho a certeza que o teu namorado também 🙂 um beijinho enorme 🙂

    1. Sim ele gostou muito ;)! Muito obrigada Rita! Já vi o teu comentário também no facebook! Fico muito feliz de poder ser uma fonte de inspiração para outras pessoas! Beijinhos

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