O livro e a talk que inspiram o meu blog

Até ao fim do mundo - Maria Semple

No dia-a-dia do blog, as coisas nem sempre são fáceis e precisamos de inspiração. Para mim, existem duas referências que tenho em mente quando estou a planear conteúdos, decidir o rumo do blog, ou mesmo a escrever os posts. Há um livro e uma talk que me inspiram, diariamente. Inspiram-me pela forma como propõe uma nova forma de criar (seja arte, sejam negócios ou conteúdos para um blog). Inspiram-me pela forma como explicam que a arte se cria, criando. E que passo a passo, podemos mesmo chegar muito longe.

Até ao fim do mundo - Maria Semple

O livro de que estou a falar é o Até ao fim do mundo (deixo o link do livro no Wook, mas não tenho qualquer tipo de afiliação ao site). Foi um dos livros que li este Verão e simplesmente, adorei. Esteve no top do New York Times e é da autora Maria Semple. Comprei-o na feira do livro porque estava à procura de um romance mais leve e este pareceu-me interessante.

O livro foca-se em Bernardette Fox, uma excêntrica arquitecta, que depois de uma carreira de sucesso, se fechou em casa. Bastante anti-social e com uma personalidade peculiar, vê-se envolvida num grande enredo que culmina com o seu desaparecimento. Não vou contar mais sobre a história, porque por um lado não é relevante para este post e por outro não quero que deixem de o ler. Para lá de personagens bastante peculiares, o livro está escrito como se fosse um puzzle. No início parece uma manta de retalhos sem sentido, com excertos de texto, mails, sms e conversas. No fim, juntam-se todas as peças e tudo faz sentido.

Mas se não vos quero falar sobre a história, então do que é que vos quero falar? Durante uma parte do livro, descreve-se o processo criativo de Bernardette. Ao contrário de outros arquitectos, que desenham casas que ainda não existem. Bernardette pegava em casas que já existiam (normalmente sítios onde o comum dos mortais não veria nenhum potencial) e começava a transformá-las apenas com materiais que encontrasse na casa. Era um processo criativo, sem projecto, em que ela ia construindo com os materiais que tinha disponíveis. Volto a dizer, sem projecto, algo que é base para se construir uma casa. Esta forma de confrontar o status quo e de se limitar pura e simplesmente a criar, conforme aquilo que for experienciando, vivenciando, sentindo e observando. A partir da exploração, que naquele caso era a casa. Deixando-se levar sem plano.

Foi este o meu plano para o blog. Tinha uma ideia de por onde ia começar, mas não havia um plano. Fui experimentando, fui vendo por onde me sentia mais confortável em avançar. Fui escrevendo sobre o que sentia que devia escrever em cada momento. Sobre o que achava que fazia sentido naquele momento. E embora não exista resposta à pergunta, “o que queres fazer com o teu blog?” e às vezes seja difícil precisar sobre o que escrevo. Neste blog dei-me a liberdade criativa de não ter um plano e de construir um projecto com o que tenho. E por enquanto, não vou mudar isso. Vou decidindo para onde quero ir, mas com a certeza que isso pode mudar.

Outra pessoa que me inspira (desta vez é uma pessoa real) é a Kathryn Minshew do site themuse, um site que eu adoro com dicas de gestão de carreira. Este site tem bastante sucesso, mas quando ela o lançou ele era mil vezes mais simples. No início, ela e a sua colega tinham mil e uma ideias para o site e queriam trabalhá-las a todas para o lançar. Os investidores (ou alguém que não sei precisar) disseram-lhes para escolherem as 3 coisas mais importantes e o site seria lançado apenas com essas coisas e depois logo se via. Se eles tivessem esperado por ter tudo pronto, provavelmente o site nunca teria saído da gaveta. Para começar um projecto não é preciso estar tudo pronto, é preciso começá-lo e depois passo a passo ir melhorando.

Kathryn Minshew - the muse
É a única foto que tenho da talk da Kathryn Minshew.

A talk que eu assisti, na GO Youth Conference, onde ela falou disto, mudou a forma como eu via os projectos. Dei-me conta de quantos projectos fantásticos tinha na caixa e dos poucos que realmente tinha concretizado. Passei a exigir menos, passei a pensar apenas quais são os mínimos para por este projecto na rua. Assim que o projecto está na rua, começamos a ter feedback e é muito mais fácil corrigi-lo e fazê-lo crescer no sentido certo. No início do blog, comecei com 3 posts semanais e nem pensar no canal do youtube. Depois fiz um vídeo, depois outro e quando já tinha 4 ou 5, aí sim lancei o canal. Só depois de começarmos é que vamos percebendo o que faz sentido. Não vale a pena um mega plano super detalhado.

A pouco e pouco este blog vai-se fazendo. Vou-me encontrando como escritora e vou-me encontrando com os meus leitores e até que decida de outra forma, vou saboreando o caminho, sem pressa de chegar ao destino.

 

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