Os últimos passos no mundo da investigação

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Nos últimos meses os projectos de investigação têm ocupado uma grande parte da minha vida: para além da minha tese (a partir da qual fizemos um segundo estudo), entrei também para uma equipa internacional de estudantes de psicologia e vou submeter em breve o meu primeiro artigo com eles, é sobre isso que vos vou falar hoje.
Este post pode ser especialmente útil para outros alunos de psicologia. Mas por ser algo que aconteceu na minha vida nos últimos meses e do meu percurso de futura investigadora vou deixá-lo também no blog.
O JRP ou Junior Researcher Program é um programa de investigação internacional para estudantes de psicologia. Qualquer estudante de psicologia pode inscrever-se. Começou há uns anos como parte da EFPSA (European Federation of Psychology Students) e neste momento existem dois: o da EFPSA e o do pscholars, que foi o que eu fiz e recomendo vivamente a todos os que gostem de investigação e tenham gosto por trabalhar em equipas internacionais.
Para mim, tem sido uma experiência incrível onde tenho aprendido muito sobre investigação e o processo de escrita e submissão de um artigo do início ao fim (algo muito importante para quem quiser fazer investigação). É um desafio também trabalhar numa equipa com 8 pessoas de 7 nacionalidades diferentes a viver em 5 países diferentes. E em geral, apreendemos um lado muito positivo de uma carreira de investigação naquilo que envolve viajar, discutir ideias, escrevê-las, discuti-las e conviver uns com os outros.
Foto de Vigor Vukotić/JRP. Este é um exemplo do profissionalismo e seriedade que são postas em tudo. É um bocadinho chato em alguns momentos, mas quando queremos ser levados a sérios, realmente devemos começar por nos levarmos a sério a nós próprios.
Por volta de Abril inscrevi-me. Este ano foi a terceira vez que me candidatei e era a última oportunidade que tinha de participar (já que era o meu último ano a participar). Também por ir acabar o curso este ano, pensei duas vezes antes de aceitar participar depois de ter sido selecionada. Estava hesitante, mas foi uma óptima decisão, da qual não me arrependo.
Depois de sermos selecionados, e antes de irmos para a escola de verão, recebemos alguns materias sobre o nosso projecto. O meu é sobre Social Identity Leadership que pode ser traduzido como Liderança da Identidade Social (podem ler o resumo do nosso projecto aqui).
Foto de Vigor Vukotić/JRP. O meu grupo.
Em Dubrovnik, houve muito pouco tempo para turismo e banhocas, uma vez que tínhamos que deixar os projectos prontos. Entre inúmeras sessões de trabalho que tínhamos que coordenar com uma agenda bem preenchida entre palestras, visitas guiadas e noites temáticas, lá fomos arranjando tempo para alguns banhos de sol. Os momentos de descanso, ainda que poucos, tinham um sabor especial. Eu tinha acabado de apresentar a tese nessa altura e por isso tive que gerir muito bem os meus níveis de energia para aguentar a semana toda.
A felicidade na única tarde de descanso que tivemos (trabalhámos à noite, mas soube bem passar a tarde na praia)
A melhor coisa deste projecto é mesmo o meu grupo de investigação. Tenho aprendido muito com eles. Vimos de muitos países, temos todos formações diferentes e personalidades diferentes. O nosso supervisor consegue ser super focado e super relaxado ao mesmo tempo e cria um bom ambiente no grupo. Deixa-nos trabalhar e discutir ideias, sem deixar de nos orientar. Desde que voltámos da Croácia (ou seja, de Julho a Setembro) estivemos a escrever o nosso primeiro artigo, que vai ser um protocolo do estudo (uma publicação a explicar o que queremos fazer, os materiais que vamos utilizar, etc). Foi um Verão em cheio (com reuniões por skype quase semanais em Agosto). Depois de acabar a tese e com uma operação a caminho não foi fácil, mas acabou por correr bem. Escrever um artigo é muito diferente de fazer um trabalho, há muitas (mesmo muitas) revisões. Somos 8, portanto imaginem o caos de 8 pessoas a fazer comentários e editar num google doc, mas corre incrivelmente bem. Neste momento, já enviámos para uma última revisão antes de submetermos e agora estamos a rever tudo pela centésima vez e a alterar o que ainda não está no ponto. É mesmo giro ver como os bocadinhos que cada um fez todos juntos fazem algo realmente interessante e bom, muito melhor do que seria capaz de fazer sozinha (assim realmente vale a pena trabalhar em grupo).
Se estiverem pensar em inscrever-se em algo do género percebam que estes programas são bastante intensos e requerem muita dedicação. Quando voltei, enchi o meu instagram de fotos na praia e paisagens lindas, mas a maior parte do tempo estivemos fechados nesta sala a trabalhar. Como alguém me disse, sempre é melhor trabalhar na Croácia do que trabalhar em Portugal. Claro que é verdade, em Dubrovnik uma pausa de meia hora servia para um mergulho. Tínhamos os jantares e almoços para conviver e trocar ideias e acho que esse é um lado óptimo da investigação: a cooperação internacional, os congressos, as pessoas. Mas tenham em mente que isto são viagens de trabalho e que o regresso não é menos trabalhoso (Agosto e Setembro, depois de entregar a tese, passei-os a ler e a escrever um artigo, no fundo uma nova tese). Mas tenho aprendido tanto que realmente só posso dizer que vale a pena.
E assim, vai o meu progresso no mundo de investigação (na realidade tenho mais novidades, mas ficam para amanhã).

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