De só a sozinha?

Será que é possível uma pessoa, ainda por cima uma rapariga, gostar de estar sozinha? Será que não é muito melhor estarmos sempre acompanhados? Será que não aprendemos só a gostar de estar sozinhos quando inevitavelmente não temos ninguém com quem estar? É para responder a esta e a outras perguntas que decidi escrever este post. Considero que, para a idade que tenho (24 anos), já tive uma boa experiência do que é a solidão e do que é estar sozinha. Entre mudanças de cursos, chatices familiares e com os amigos, já passei algumas temporadas mais sozinha que acompanhada. Já passei fins de semana inteiros sem falar com ninguém. E sei que no fim, por muito que custem, esses são momentos que nos fazem crescer incrivelmente. Não é fácil, numa casa vazia confrontamo-nos com tudo o que somos e o que não somos. Numa casa vazia só existimos nós próprios: com os nossos defeitos e as nossas qualidades, não há outro com quem falar, outro que criticar, não há outro. Somos nós, no nosso melhor e no nosso pior. No início, custa encontrarmo-nos a sós, depois custa não termos este espaço só nosso. A primeira vez que fiquei sozinha em […]

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Diário de uma rapariga que vive sozinha

Não, não é o meu. É o famosíssimo diário de Bridget Jones. Bridget, uma londrina que vive sozinha, relata-nos de forma engraçada o seu dia-a-dia entre a liberdade de viver sozinha agora e o pânico de viver sozinha para sempre. Muitas vezes referido ao longo do livro é o mito da mulher que morre sozinha em casa e é comida pelos gatos. O livro já tem muitos anos, mas encontrei-o por um euro e decidi lê-lo no Verão. Foi uma leitura leve e agradável. É um livro que se lê rápido. Embora não seja igual ao filme, é bastante parecido. Mas achei sobretudo interessante, ler um diário ficcional de uma mulher que como eu, vive sozinha. O dilema carreira vs. família Porém, acho que nos separa uma geração. Depois de ter passado os últimos anos da adolescência e os primeiros da vida adulta a ver filmes e séries de mulher que diziam não querer casar e ter filhos e em que me passavam pelos olhos tantos exemplos de mulheres que por opção ou pressão se dedicaram à carreira e que, ignorando os relógios biológicos, deixaram a família para depois ou optaram por nem a colocar nos seus planos. Penso que […]

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Como comecei a viver sozinha – parte 2 ou Como acabei a viver com a minha gata

… Um pequeno resumo do post anterior, uma vez que este é a sua continuação: aos 18 anos comecei a viver sozinha. Fui morar para o Porto, onde passava por uma normal jovem a estudar fora. Quando mudei de curso regressei a Lisboa e ao início as coisas não foram muito simples. De volta à casa que tinha sido da minha mãe era difícil senti-la como minha. A organização não fazia sentido, agora que só vivia ali uma pessoa. Havia uma quantidade enorme de móveis por metro quadrado, ao ponto de alguns amigos meus dizerem que a minha casa mais parecia um jogo de tetris. Não tinha especial apreço pelo estilo dos móveis ou pelos cortinados às flores. O quarto era o único espaço que sentia como meu (tinha sido redecorado na minha adolescência), por isso era por lá que ficava quando estava em casa. Entretanto comecei o curso de psicologia. Na faculdade temos acesso a psicólogos a um preço mais acessível, por isso decidi consultar uma. Sabia que havia coisas que sentia e problemas que tinha que não se iam resolver sem ajuda profissional e, agora que estava em psicologia, sabia que isso ia por o meu trabalho em causa. Lá fui e por muito […]

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Ansiedade pré-estágio

Estou a apenas algumas horas de começar o meu estágio. Nestes últimos dias de férias tenho sentido um misto de emoções: tristeza por ver as férias a acabar, alguma “excitação” por ir começar uma nova fase da minha vida e ao mesmo tempo algum receio de algo completamente novo. Depois de mais de duas décadas a estudar e com apenas algumas experiências pontuais de trabalho e/ou voluntariado, a verdade é que nunca tive um trabalho. Pelo menos nunca tive um trabalho das 9h às 18h com uma hora de almoço e colegas e um posto de trabalho. Como eu, acho que a maior parte dos jovens da nossa geração nunca trabalharam antes de chegar ao estágio (seja ele curricular, profissional, etc). É um marco nas nossas vidas. A seguir a um estágio, vem geralmente um trabalho e depois mais outro e mais outro (de preferência estabilizamos nalgum deles) até chegarmos à reforma. Já não há mais voltar atrás. O curso acaba. A vida profissional começa e inevitavelmente crescemos e tornamo-nos responsáveis por nós próprios. Já não podemos faltar porque não nos apetece aturar uma reunião chata ou sair mais cedo porque é Maio e está um lindo dia de sol. […]

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