#14 – O que é que um blogger pode aprender com a vitória do Salvador Sobral? (ou qualquer que pessoa que tenha um público)

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Quando comecei a planear o blog, fartei-me de ler artigos sobre como escrever posts, o que escrever no blog, como cativar os leitores, como não entediar os leitores, como fazer que eles regressem, etc, etc. Num mundo cheio de informação e estímulos é difícil conseguir a atenção das pessoas e todos nós queremos ter uma voz.

A maior parte das pessoas não quer escrever um blog, para que ninguém o leia e a partir daí há muita coisa que acontece e muita coisa que não devia acontecer. Se é verdade que li muitos textos sobre a forma como cativar os leitores, li uma vez um texto que achei incrível no Medium que falava sobre a maneira como hoje em dia os textos têm que ser curtos e cheios de estímulos, com títulos apelativos e ideias simples e como a verdadeira escrita e a verdadeira leitura se estão a perder. É fantástico que os nossos textos cheguem a qualquer pessoa e que até as pessoas com grandes défices de atenção os consigam ler até ao fim. Mas a que custo?

Esse texto mudou a minha maneira de ver as coisas. Percebi que provavelmente não era a única que fazia um esforço enorme para encurtar frases, simplificar ideias, tirar o que está a mais, para depois olhar para o texto e sentir que faltava algo. Eu adoro escrever, e aquilo assim não parecia escrever.

Mas onde é que o Salvador Sobral no meio disto tudo? Bem, ele é um músico que entrou em reality shows e não guardou as melhores memórias. Cedo percebeu que o grande público é exigente e que fazer só o que o grande público gosta é cansativo. Dedicou-se a fazer o que gosta e 8 anos depois ganhou o festival do grande público, não só português, mas europeu. Cantou, sem rádios, nem ginásios, nem discotecas em mente. Cantou como sentiu que tinha que cantar. Cantou o que tinha que cantar e, sem intenção de o fazer, encantou.

Não me interpretem mal, não é que eu tenha um carinho enorme por todos os meus leitores. Mas se ao mesmo tempo quero que os textos sejam fáceis de ler e que cheguem ao maior número de pessoas, também quero continuar a escrever. A escrever o que me apetece, porque o blog é o meu cantinho e se não existir para poder escrever como me apetece e relaxar, então não vale a pena. Não é fácil, ver menos leitores, mas os que ficam sabem ao que vêm e acabam por voltar.

Nestes 25 dias (dos quais já passaram 14), quis escrever todos os dias, mas quis escrever como me apetecesse sem pensar na relevância de um post ou se o texto era simples e facilmente legível. Nem me preocupei com as imagens (a partir do oitavo post passaram a ser todas iguais só com o número do dia). E dediquei-me a escrever, que é o que eu gosto e quem gostar de ler que fique.

Como ouvi numa tertúlia de bloggers, o blog não vai salvar vidas. Por isso mais vale, relaxarmos, descansarmos, aprendermos e escrevermos como gostamos, como sentimos, como queremos. E se o sucesso tiver que vi ele virá, ainda maior, com o post que tem palavras a mais e correcções a menos. Esta vitória só veio confirmar o que já sabia a algum tempo, que as pessoas estão fartas de coisas que são fabricadas para as agradar e querem coisas autênticas.

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