A vida não nos vai compensar os momentos maus com facilidades

Quando a vida é dura connosco, temos o direito de ficar tristes, de chorar, de não gostar, de reclamar e até de nos vitimizar-mos. Foi-nos sempre dito que merecemos tudo. Que se formos bons estudantes, bons cidadãos, bons filhos, bons amigos, a vida nos vai correr bem, vamos ser felizes, bem sucedidos e ter uma boa vida. Por isso é normal que fiquemos chateados quando fazemos tudo bem e ainda assim a vida não nos corre bem. Se quando somos mais velho começamos a poder procurar entre todas as nossas más acções e momentos menos felizes por uma explicação para aquela “coisa má que nos caiu no colo”, quando somos mais novos não há muitas ações que justifiquem qualquer catástrofe. Ficamos sem outra opção, se não acreditar que o mundo é um lugar mau e onde os finais não são sempre felizes. Podemos desistir e desculpabilizar-nos, ou mesmo esperar que a vida nos compense pelo mal que nos fez. Afinal o mundo é horrível. As pessoas não são sempre felizes e não basta sonhar e acreditar. Seria simpático se a vida nos “compensasse” por sofrimentos anteriores: “Os teus pais morreram antes de ter 18 anos, por isso agora vais entrar […]

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#22 – Um manifesto anti-“o que te vês a fazer daqui a 5 anos?”

dia 22

Como as pessoas que me conhecem ou que leiem o blog sabem estou a chegar ao fim do meu mestrado. Depois de ter passado 5 anos a estudar psicologia, depois de querer tanto que este momento chegasse, ele finalmente chegou. E não é que esteja super feliz que ele tenha chegado: adorei a minha benção, adorei este último ano em que não temos aulas, mas seminários. Mas a verdade é que o que vem a seguir é desconhecido e por muito que tentemos planear todos os detalhes, o que vai acontecer a seguir escapa em larga escala ao nosso controlo. Os meus dias são passados a imaginar cenários. Se entrar no Doutoramento vai ser assim. Se não entrar vai ser desta outra forma. Entretanto surgem outras ideias, outros sonhos. E se isto afinal não for o caminho certo? A verdade é que a vida já me ensinou que todo o tempo e recursos cognitivos que perco a pensar nestas coisas são muito pouco útei, para não dizer que não servem mesmo para nada. Acontece o que tiver que acontecer. Os planos normalmente nunca se realizam porque há uma série de outros factores que não conseguimos ter em conta. Várias vezes […]

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Como comecei a viver sozinha – parte 2 ou Como acabei a viver com a minha gata

… Um pequeno resumo do post anterior, uma vez que este é a sua continuação: aos 18 anos comecei a viver sozinha. Fui morar para o Porto, onde passava por uma normal jovem a estudar fora. Quando mudei de curso regressei a Lisboa e ao início as coisas não foram muito simples. De volta à casa que tinha sido da minha mãe era difícil senti-la como minha. A organização não fazia sentido, agora que só vivia ali uma pessoa. Havia uma quantidade enorme de móveis por metro quadrado, ao ponto de alguns amigos meus dizerem que a minha casa mais parecia um jogo de tetris. Não tinha especial apreço pelo estilo dos móveis ou pelos cortinados às flores. O quarto era o único espaço que sentia como meu (tinha sido redecorado na minha adolescência), por isso era por lá que ficava quando estava em casa. Entretanto comecei o curso de psicologia. Na faculdade temos acesso a psicólogos a um preço mais acessível, por isso decidi consultar uma. Sabia que havia coisas que sentia e problemas que tinha que não se iam resolver sem ajuda profissional e, agora que estava em psicologia, sabia que isso ia por o meu trabalho em causa. Lá fui e por muito […]

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