#3 Tomar decisões difíceis

Todos os dias temos que tomar decisões. Umas são coisas simples como “o que vamos comer ao almoço”, outras como “que curso vou escolher” são bastante mais complexas e, por vezes, nem sequer temos 100% de certeza de que a nossa escolha é acertada. Se forem como eu, as primeiras apresentam como difíceis (não sou muito boa a decidir), as segundas como verdadeiramente angustiantes. Especialmente nos momentos de tomar decisões difíceis tento recorrer a todas as estratégias que me ajudem a pensar na direcção certa a tomar.
Este é o post #3 do desafio 25 anos, 25 posts (aqui podes ver a lista completa de posts)
25-anos-25-dias-25-posts
No último ano, já tive a minha mão cheia de decisões difíceis e acho que nos próximos tempos a tendência será para continuar assim. Umas são mais difíceis que outras, algumas têm tantos condicionantes que quase nem são decisões. É importante, sermos capazes de tomar as decisões. Ou seja, não deixar a coisa arrastar-se até ao ponto em que alguém toma uma decisão por nós. É a nossa vida, convém que pelo menos de vez em quando tomemos as rédeas e lhe demos alguma direcção.
Há algumas estratégias que podemos adoptar que facilitam a coisa, mas na realidade as decisões difíceis vão ser sempre, isso mesmo, difíceis. Ainda assim, vou-vos deixar aqui algumas dicas de alguns processos que efectivamente me ajudam a tomar, pelo menos, a parte racional da decisão.
Uma das possibilidades é a coisa mais básica, fazer uma lista com os pontos a favor e contra cada uma das decisões, eu aconselharia a fazer a primeira versão e andar com ela alguns dias para ir adicionando mais coisas de que me vou lembrado. Para além disso, para decisões mais importantes como uma mudança de carreira ou escolher que curso seguir, acho que é importante considerar vantagens e desvantagens, a curto (próximos meses) e longo prazo (próximos anos). Por exemplo, escolhendo um determinado caminho tenho mais tempo livre, mas não vou ter a carreira com que sempre sonhei. Ou com esta opção vou ter o trabalho que adoro, mas daqui a 5 anos estou mais velha que a minha avó. Tudo são partes importantes da decisão.
Como estudante de psicologia, acho que é muito importante ter em conta não só dados mais objectivos, mas também como nos sentimos com cada uma das decisões, como nos vamos sentir se escolhermos cada um desses caminhos? Equilibrados, stressados, tristes, felizes, realizados? Isso tudo também deve entrar nestas listas.
Por outro lado, se forem mais “objectivos”, podem optar por pensar em termos de factores que são importantes para a decisão (sei lá localização da faculdade, possibilidade de emprego, proximidade aos amigos, etc) e avaliar cada uma das escolhas de 1 a 5, relativamente a cada um dos factores. Se quiserem levar isto ainda mais longe podem pensar nos factores que são mais importantes para vocês e atribuirem-lhe um peso diferente. Por exemplo, para mim a localização é muito importante porque odeio andar de transportes, então atribuo o dobro dos pontos a esse factor. No fim, têm uma “pontuação” para cada decisão e podem compará-las mais no global.
Uma última dica, para quando já sabem qual o caminho que querem tomar, mas estão com medo de seguir essa direcção. Eu costumo pensar no pior que pode acontecer, ou seja, se tomar uma decisão e correr tudo mal o que é que acontece? Consigo ainda assim resolver a situação? Se essas coisas acontecerem, será que preferia ter tomado o outro caminho? Ou será que ao tomar aquela decisão, mesmo que as coisas corram mal, sei que aquele era um passo que tinha que dar e que me vai trazer aprendizagens que o outro não traria?
São técnicas, valem o que valem. Se forem como eu, mesmo depois de tomarem a tal decisão vão duvidar. Para facilitar, aconselho marcar uma data em que vão comunicar a vossa decisão aos outros envolvidos (pais, namorados, professores, chefes). Dêem-se algumas semanas, no mínimo alguns dias. Não se apressem pela pressão dos outros, mas não adiem para lá do prazo que escolheram. Quando chegar aquele dia tenham a decisão tomada e considerem o assunto fechado. Vamos sempre querer voltar atrás 30 mil vezes, mas tomámos aquela decisão por uma razão (normalmente várias), confiem em vocês próprios. E se tudo correr mal é porque não era para correr bem, aprendam com o que se passou e sigam em frente.
Psra terminar, deixo-vos uma ted talk que vi há uns meses de uma filósofa contemporânea, Ruth Chang, que tem ideias muito interessantes sobre tomar decisões difíceis, vale mesmo a pena ver.
tomar-decisoes-dificeis

também podes gostar de

3 comentários

  1. Essa ted talk é uma das minhas preferidas. Sou péssima com decisões difíceis mas a verdade é que muitas vezes a decisão já está tomada na nossa cabeça desde o início. Só que fazemos listas de prós e contras e tudo o mais porque temos medo do resultado do que escolhemos. Qualquer coisa, podemos voltar a escolher mais tarde 🙂

    1. Sim, é isso mesmo. É a célebre questão de atira uma moeda ao ar e pensa qual é o lado que querias que tivesse saído. Nós já sabemos, às vezes só custa por cá para fora.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *