O top 3 dos transportes que me tiram do sério

Hoje vou falar sobre um tema que assombra a minha vida diariamente. Especialmente desde que iniciei o curso de psicologia que o meu descontentamento com o sistema de transportes públicos da grande Lisboa se tornou parte do meu dia-a-dia. Porém desde que decidiram desmontar Lisboa, que o meu ódio atingiu máximos históricos. Um dos projectos que um dia gostaria de por em prática, era ser capaz de escrever uma reclamação sempre que me deparo com um problema (isto implicaria escrever pelo menos uma reclamação por dia e a média andaria nas três).

Desde os meus 6 anos que no meu agregado familiar não existe carro, por isso desde pequena que me habituei a andar de transportes. Até ao 6º ano ia para a escola de carrinha (i.e. aquelas carrinhas privadas de transporte de crianças), mas daí para a frente passei a utilizar sempre o comboio. Quando fui para o Porto andava de metro e de autocarro. De regresso a Lisboa passei a utilizar o comboio e o metro. Agora, para ir para o estágio, normalmente utilizo comboio e autocarro.

Não quero enganar ninguém, eu adoro os transportes públicos, não em Lisboa, mas em Londres, Paris, Berlim ou Frankfurt. Quando comecei a andar de transportes, estes podiam não ser o último grito da inovação, mas permitiam-nos viajar de forma minimamente rápida e sem gastar muito dinheiro. Nos últimos anos, os preços dos transportes não param de subir e a qualidade do serviço de cair a pique.

É suposto que os transportes públicos, ofereçam um serviço público. E não que nos deixem à espera, às vezes durante quase uma hora. Que venham frequentemente tão cheios, que seja difícil sequer entrar no dito transporte, quanto mais viajar com conforto. Que os condutores e pessoal das estações seja imprestáveis e frequentemente mal educados. Que façam greves constantemente quando os respectivos salários estão mais de quatro vezes acima da média nacional.

Todos os meus amigos sabem que eu odeio andar de transportes. Não porque odeie andar de transportes: adoro poder usar o tempo para ler, ver as paisagens e descansar. Mas detesto a desorganização dos nossos transportes. Detesto que nunca cumpram horários e andem sempre atrasados. Detesto quando tenho que viajar à noite e, para além de ter que esperar meia hora por um comboio e de ele vir a parar em todas as estações e apeadeiros, não ter segurança nenhuma (especialmente nos dias de festas e afins). E detesto sobretudo, as limitações que os transportes me trazes: os sítios onde não consigo chegar, as horas a que não posso ir, o tempo infinito que demoro e as coisas que tenho que deixar de fazer porque de transportes é impossível.

Um dia espero comprar um carro e quando o fizer este post passará a ser sobre o meu ódio relativamente ao trânsito e à falta de civismo das pessoas na estrada. Mas enquanto continuo a viajar de transportes todos os dias, vou-vos apresentar o meu pódio de transportes que põe com os nervos em franja.

Número 3: Metro

Metro de Lisboa

Até ao ano passado este era o 2º mais detestado, no entanto ao fim de uma semana a andar de autocarro o metro já tinha claramente subido na minha consideração. Embora continue a achar ridículo que os tempos de espera sejam muitas vezes superiores aos tempos de viagem. Ainda que olhe com inveja para os metros de Londres e Berlim, onde as pessoas correm para o metro porque não querem ter que esperar entre 2 a 3 minutos. Ainda assim, começo a achar que realmente este é o meio de transporte menos stressante da cidade, tirando lá está nos dias em que chego alegre a uma estação e me deparo com um tempo de espera de 12 minutos.

Número 2: autocarro

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Só comecei a andar de autocarro com frequência este ano, antes  disso só utilizava quando havia greve de metro. De heróis que me salvavam quando o metro decidia parar semanalmente às quintas-feiras, passaram a vilões que me atormentam diariamente.  Em menos de uma semana, a Carris conseguiu ultrapassar o metro e, claramente, arrisca-se a ficar com o primeiro lugar. Atrasos, desorganização, paragens que desaparecem, motoristas mal-dispostos, motoristas que não sabem conduzir, autocarros cheios e horários reduzidos a mínimos inaceitáveis. Este é um dos serviços com menos qualidade da grande Lisboa. Para fazer um trajecto de 20 minutos já cheguei a demorar 1h30. Quando posso apanhar vários autocarros no Cais do Sodré porque os autocarros estão todos espalhados por cerca de 7 ou 8 paragens sem lógica nenhuma. Por 77 euros por mês, não ouso pedir que a viagem seja agradável, peço apenas que seja possível viajar.

Número 1: COMBOIO

Comboios da CP
Comboios da CP

O topo da lista não poderia ser ocupado por outro senão aquele que já me deixou mais vezes na mão. Por entre atrasos e greves, quantas vezes fiquei sem poder viajar. Às vezes, porque infelizmente não tenho um autocarro, fiquei sem poder ir às aulas ou sem poder ir ter com os meus amigos, ou sem poder ir surfar, porque uns senhores decidiram que era giro fazer greves nas férias e nos feriados. Sempre que venho um pouco mais tarde (a partir das 20h30) ou que viajo aos fins de semana venho no suplício que é parar em todas as estações e apeadeiros, isto claro depois de esperar meia hora pelo comboio que provavelmente perdi porque o metro ou o autocarro se atrasaram.

E assim se vive quando não se tem carro. Porque afinal 77 euros por mês é tão pouco, quem poderia esperar um serviço minimamente decente? Claramente este não é o meu maior problema, mas é daqueles que não mata, mas mói. E mói diariamente, quando estou cansada e demoro 1h30 ou 2h a chegar a casa, numa viagem que se faria em 20 minutos. Mói quando está a chover a pique e a paragem nem tem um abrigo. Mói quando se viaja à noite e os transportes não oferecem segurança. Mói quando estamos com pressa e o próximo metro só chega em 12 minutos e o próximo autocarro em 30 minutos. Mói quando se sai das aulas às 21h e se chega ao Cais Sodré às 21h31 para depois ter que esperar até às 22h e chegar a casa às 22h45. Mói sobretudo quando não se tem outra opção.

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