Viver a vida que nos faz sentido (e não a que faz sentido ao resto das pessoas)

Tempo de leitura:3 minutos
Acho que é importante colocarmo-nos em alguns momentos fora da nossa zona de conforto. Mas para sermos capazes de sair da nossa zona de conforto é necessário termos uma. Depois de 2 ou 3 anos a colocar-me constantemente fora da zona de conforto, já não tinha uma. Vivia numa mudança constante e acabava por não ter nenhuma estabilidade. Há quem discorde, mas ter equilíbrio e alguma constância é tão importante como não nos tornarmos escravos dessa zona mais confortável.
Por isso, quando cheguei ao fim da licenciatura, decidi ir pelo caminho mais seguro, manter-me na mesma faculdade, estudar algo onde à partida teria emprego e não arriscar demasiado. Ao longo do curso fui arriscando em alguns momentos, mas nada de muito desconfortável.
Entre fazer 25 anos e chegar ao fim do curso, começou uma reflexão mais profunda sobre o que quero fazer com a minha vida. Se há coisa que já aprendi é a não apressar a passagem de uma fase para outra. Tinha a hipótese de fazer um sprint até à próxima fase da minha vida profissional, mas sentia-me exausta e confusa e achei que não fazia sentido a pressa. Tinha a possibilidade de ter um ano mais tranquilo, para avaliar os 5 anos que ficaram para trás e pensar no que queria realmente fazer nos próximos, complementar os conhecimentos que não adquiri no meu mestrado e pensar bem no que quero fazer nos próximos 5 a 10 anos. Ainda que ache que isso é uma parvoíce (porque estamos muito mais dependentes das circunstâncias do que gostamos de acreditar).
Tenho questionado tudo, tenho posto muita coisa em causa e tenho posto as mãos à obra para mudar o que não está bem. Da dieta, ao novo piercing, passando pela entrada num novo mestrado. Esteve em vista uma mudança de país, que não vai acontecer para já, mas quando damos espaço para isso há janelas que se vão abrindo, cabe-nos a nós estarmos atentos.
Cada vez me preocupo menos com o que as pessoas vão pensar e procuro fazer aquilo que me faz sentido. Acho que temos que fazer aquilo que nos parece correcto, também me parece parvo as pessoas que gostam de fazer coisas estranhas só para serem diferentes, mas acho que é super importante fazer coisas que podem ser estranhas para os outros e que até podem ser difíceis para nós, mas que nos fazem sentido.
No caso do mestrado, claro que me custa ter decidido não me candidatar já ao doutoramento. Há uma leve sensação de não estar a fazer o que era suposto, ou de não estar a corresponder à expectativas, mas também há um entusiasmo por algo novo que vai começar, por poder aprofundar uma das minhas paixões científicas, as neurociências e ter tempo e lugar para o fazer.
viver a vida que nos faz sentido
Outra decisão que tomei, um pouco menos séria, foi a de fazer um piercing na barriga. Quando era pequena, sempre sonhei com um piercing na barriga, mas achava que só o podia fazer quando estivesse mais magra, porque não ia ficar bonito. Desisti de esperar por ter a forma ideal (objectificada por uma barriga que nem minha era) e arriscar fazer o piercing. Pensei bem no assunto, procurei um sítio de confiança e ontem lá fui eu, fazer uma coisa que já podia ter feito há quase 10 anos. Se não gostar, posso sempre tirá-lo, mas para já estou a adorar.
o meu piercing na barriga
Entre pequenas e grandes coisas ando numa fase de arriscar e de fazer as coisas que me parecem as certas para mim. A opinião dos outros é deles, a vida é minha e quem vai ter que a viver sou eu. Portanto, prefiro arriscar percorrer caminhos meio sinuosos, às vezes desesperantes porque parecem não levar a lugar nenhum, mas que sei que a longo prazo se não me levarem a um lugar melhor, vão ser uma história muito gira para contar.
Se gostaste deste post, deixa os teus contactos e vou-te avisar sempre que sair um novo post 😉