#6 Yoga para pessoas stressadas

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Sou muito stressada e sempre achei que o yoga me stressava mais do que me acalmava. Na verdade, dizer a uma pessoa que está stressada para se acalmar e não pensar nos problemas é o mesmo que dizer a um cão para não ir atrás de uma bola que acabámos de atirar. Por outro lado, nem todo o yoga (e já agora nem todas as formas de meditação) funcionam assim.

Eu encontrei um tipo de yoga onde a minha professora, a Vera, não me diz (muitas vezes) para relaxar e ter calma, pelo contrário diz-me para me focar em fazer os exercícios correctamente (coisa que funciona muito bem para pessoas perfeccionistas e auto-exigentes, como eu) e para me focar na respiração (não funciona tão bem, mas é útil dado que tenho asma).

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Eu, a sair de casa para ir praticar yoga.

Sempre que ia a aulas de yoga, irritava-me. Durante aquela hora que era suposto acalmar-me só me sentia mais nervosa. A suposta música relaxante. O incenso. A constante repetição de indicações para relaxar e acalmar. A dificuldade em concentrar-me. Sentia-me completamente deslocada.

Acredito que com o yoga, como com muitas outras coisas na vida, é preciso encontrar o estilo que encaixa melhor com a nossa personalidade. Depois de muitos anos a achar que o yoga “não era a minha cena”, há 4 anos encontrei um tipo de yoga que realmente funciona para mim, o ashtanga.

É diferente de muitos outros tipo de yoga. No ashtanga, existe uma sequência de posturas que são sempre as mesmas em todas as aulas. No início aprendemos uma série de posturas e, depois, ao ritmo de cada um, vão sendo acrescentadas, pela professora, novas posturas. Toda a gente começa com a primeira série, depois passam para a segunda, terceira, por aí fora. Creio que a maior parte das pessoas não passa da primeira, são precisos vários anos a praticar todos os dias para se conseguir passar à seguinte. Do que li, a primeira série foca-se na limpeza do corpo, a segunda na limpeza da mente. A sequência de exercícios foi cuidadosamente estudada para trabalhar vários músculos e órgãos e de tal forma que as posturas anteriores preparem para a seguinte. É muito interessante. É engraçado ver que há posturas que são naturalmente fáceis e outras que são verdadeiros desafios, normalmente as últimas são as que precisamos mais, mas as primeiras são as que mais gostamos de fazer.

Existem dois tipos de aulas: mysore e guiadas. As guiadas, são mais parecidas com as aulas “normais” de yoga, a professora vai dizendo os exercícios (sempre na mesma sequência) e conta as respirações e todos fazem ao mesmo tempo. Nas aulas mysore, há um período de tempo no qual podemos chegar, cada um chega, estende o tapete e começa a sua prática. A professora anda pelo meio de nós e vai corrigindo, ajustando e dando umas dicas.

Podem estar a pensar, mas estar sempre a fazer a mesma coisa para sempre, não é uma seca? Bem, em primeiro lugar não é sempre a mesma coisa porque é sempre diferente, por outro lado com as posturas novas vai sempre modificando um pouco. Para além disso, há posturas que inicialmente fazemos de uma forma mais simples e com o tempo vamos fazendo de uma forma mais complexa.

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O sítio onde pratico yoga. Grande vista, não acham?

Acho que a grande vantagem é que trabalhamos muito mais a fundo cada uma das posturas. Para mim, pesa bastante o facto de poder estar totalmente focada no que estou a fazer, sem ter que estar a tentar saltitar entre uma série de posições diferentes, todos os dias diferentes, ao sabor do vento. Como o meu problema maior é a respiração, é importante que me possa focar na respiração e não ter que pensar imenso nas posições. Chego e concentro-me na minha respiração e em cada uma das posturas que tenho que fazer e isso, para mim, é uma espécie de meditação activa em que tenho que estar tão focada naquilo (e mesmo assim tenho dificuldades) que não consigo pensar em mais nada. Com o tempo, as primeiras tornam-se quase automáticas e é outro tipo de meditação.

Foi preciso parar de fazer (cerca de 2 anos depois de começar), para realmente sentir a falta e perceber o bem que me fazia. Agora que voltei (há umas semanas), voltei com outra energia e com outra vontade. Quando faço yoga, sinto-me mais equilibrada, tenho menos asma, sinto-me mais saudável, mais ágil, mais flexível, menos “perra”. Mas vai para além disso, as aulas permitem-me aprender a controlar cada vez melhor (e alguns dias muito mal) a minha respiração, mesmo nas posições mais esquisitas, com os pulmões comprimidos ou quando já estou farta de estar ali. Percebi como é importante em todos os momentos da vida, focarmo-nos na respiração e, senão conseguirmos manter a calma, pelo menos conseguir manter a respiração já ajuda muito. Aprendo a ter calma, a ter menos pressas, a ter paciência comigo com própria e com o tempo que o meu corpo precisa. A ser menos orgulhosa, olhar menos em volta e olhar mais para dentro de mim.

Alguns dias acordo e não consigo ir, alguns dias vou e pareço um cata-vento, mas a pouco e pouco há algo que vai mudando. O foco aumenta, a respiração é menos descontrolada, o corpo cede e a cabeça agradece. Se quiserem ler mais recomendo este blog da minha professora.

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