Como fui parar à faculdade de medicina?

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Olá. Espero que estejam a gostar desta série de três posts sobre o que me tem acontecido nos últimos meses. É verdade que me tenho focado mais na minha vida profissional, mas num momento de encruzilhadas e tomadas de decisão é não difícil não o fazer. Acabei o curso, estagiei, entreguei a minha tese e estou prontinha para o mercado de trabalho. Nunca esteve planeado seguir o percurso tradicional dos mestres em psicologia: procurar um estágio profissional e começar a trabalhar, já há muitos meses que tinha decidido seguir pela via da investigação. Mas por entre tropeções, abanões e um Verão cheio de acontecimentos, acabei por decidir tirar um ano para ir fazer algo que não tinha planeado. Decidi ir estudar neurociências.
Inicialmente candidatei-me a uma universidade em Londres, mas já foi tudo muito em cima e acabei por não ser aceite. Depois candidatei-me à faculdade de medicina e, depois de uma entrevista por skype algo caricata, acabei por entrar. Isto acaba tudo por ser muito engraçado porque sempre fui boa aluna da escola e sempre fui empurrada para medicina (embora os meus exames nem sequer mo permitisse, mas podia escrever todo um outro post sobre isso). Várias foram as vezes durante o meu percurso em que pensei mudar de curso para medicina. Mas acabei sempre por não o fazer, por achar que estava só a ser parva e que estaria a fazê-lo por efeitos secundários de uma certa peer-pressure. E depois de tudo, acabo a estudar neurociências na faculdade de medicna e é claro que estou a adorar. As moléculas, a biologia, os laboratórios, a exigência – sinto-me uma criança feliz.

Happy kid with new neurobooks

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Quando contactei a faculdade disseram-me que iria ter aulas das 17h às 19h, às terças e quintas. E eu pensei, boa, vou estar a aprender algo de que gosto muito e que depois hei-de poder integrar no meu doutoramento e vou ter tempo para pensar o que quero fazer à minha vida, se fico por cá ou se deixo o meu cérebro fugir (porque aparentemente só os cérebros é que fogem, pelo menos é o que se costuma ler nos jornais). Não podia estar mais errada. Entre os projectos de investigação que tinha do ano anterior, o que ganhei no verão (o JRP), ter sido operada ao nariz (vou escrever sobre isto na próxima série) e entrar numa faculdade completamente nova tem sido bastante desgastante. A universidade de Lisboa é um mundo para alguém que vem do ISPA, uma universidade quase familiar em Alfama. Ninguém sabe nada, ninguém responde aos mails, ninguém nos dá informações. A própria faculdade (que se espalha pelo espaço do hospital de santa maria e o pequenino iMM) é um labirinto (existem mapas e tudo). Por isso, não é sempre fácil.
E realmente apesar de todas as cofusões e do cansaço, estou a adorar o mestrado. Sempre senti falta da biologia e da matemática enquanto estudava psicologia e realmente dá-me muito gozo andar outra vez de volta das células e das cascatas de reacções. A magia de um laboratório, dos microscópios, dos protocolos, realmente tinha saudades. Ainda assim, agora que a novidade já está a assentar, é claro para mim que em termos de investigação isto não é de todo um divórcio da psicologia. Adoro neurociências sim, mas acho que elas fazem sentido para estudar o comportaento humano em conjunto com outras técnicas mais clássicas da psicologia. Vejo as neurociências como um método para avançar o conhecimento que já existe de uma forma diferente e não como algo alternativo à psicologia. Mas sobretudo, estou muito feliz de voltar a este mundo das ciências da vida e poder integrá-la com a ciência que explica a vida e ainda mais entusiasmada para poder começar a fazer investigação nesta área.
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