Fevereiro ou o mês da(s) mudança(s)

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Mais um mês que passou, a voar, neste 2018 que parece que vem recheado de surpresas, aventuras e novos capítulos. Tanta coisa mudou neste mês que se tornou difícil manter-me a par de todas as mudanças. Comecei o mês em Madrid, acabo o mês empregada e numa casa nova. Pensei muitas vezes a escrever, mas são aqueles tempos em que estamos tão ocupados a viver que resta pouco tempo para anotar as palavras. Por isso, não podia deixar passar mais tempo sem vir aqui registar um pouco o que foi este mês.

1/02 – Comecei o mês em Madrid, para ser mais exacta comecei o mês perdida numa floresta em Madrid. Porque detesto gastar dinheiro só porque sim (e porque não abundava dinheiro por essa altura, nem por esta) decidi ir para o hostel de transportes públicos. Acontece que o hostel ficava nos arredores de Madrid, numa zona de campo e nós enganámo-nos na paragem. Conclusão tivemos que andar 40 minutos que se transformaram em mais de uma hora a andar a pé. Por volta da meia noite, andava eu perdida numa floresta, com mais outros 5 amigos. Uma cena que parecia saída do filme de terror e que acabou connosco no tal hostel a acabar trabalhos e enviar abstracts para outras conferências pela noite dentro.

2/02 – Fiz a minha primeira comunicação oral. Ia a pensar que falaria para umas 15 pessoass (com sorte), acabei a falar para cerca de 300. Não era bem o que tinha em mente e estava bem nervosa, mas acho que foi uma boa experiência para sair da minha zona de conforto. Em breve, vêm mais e acho que dificilmente vão ser tão assustadoras. Com isso, mais um poster apresentado e um artigo submetido para um jornal internacional sinto-me no caminho para me tornar uma investigadora (coisa que nos últimos meses parecia não estar a acontecer).

 

8/02 – comecei a trabalhar como assistente de investigação. Este foi um marco e peras, quando já achava que tudo estava perdido as coisas finalmente alinharam-se. Estava muito nervosa, não sabia como me iria sentir. Sempre fiz investigação nas “horas livres” e tinha imenso medo de achar uma seca fazer aquilo o dia todo. Ainda passou pouco tempo (3 semanas que pareceram 3 meses), mas estou a adorar. Sinto que encontrei o meu trabalho de sonho. As coisas ainda podem mudar muito (3 semanas no tempo de vida de um projecto de investigação não é nada), mas sinto que encontrei o meu “Choose a job you love, and you will never have to work a day in your life” (com todas as limitações que esta frase tem).

18/02 – mudei-me para a casa nova, na realidade mudei-me antes disto, no dia 7 de Fevereiro foi quando vim buscar as “chaves” do meu quarto novo, mas só me mudei com as tralhas todas neste dia e foi aí que senti mais que tinha mudado. Estou a viver em Lisboa, perto da faculdade e perto do ICS e realmente tem sido outra qualidade de vida. Para já, o corte no tempo de transportes não se tem sobreposto às saudades do mar. Para além disso, tenho plena consciência que era a unica forma de manter a sanidade mental com este mestrado (mega-exigente) e a trabalhar ao mesmo tempo.

21/02 – fiquei a saber, de forma mais definitiva, onde ia fazer a minha tese de mestrado para o ano e o tema que iria trabalhar. Isto foi um grande marco depois de todo o stress que tem sido para saber se conseguia ficar num laboratório que fizesse investigação que me interessasse. Enfim, consegui e já estou entusiasmada com esta perspectiva para o próximo ano (lectivo). Na realidade já estava mais ou menos certo desde 3 ou 4 de Fevereiro, mas é para dar um efeito mais de que as mudanças ocorreram ao longo do mês.

 

23/02 – Decidi inscrever-me numa escola de dança (oficialmente só me inscrevi no dia 24, mas no dia 23 foi quando experimentei as primeiras duas aulas). Desde Novembro que me queria inscrever num ginásio, porque com a vida toda em Lisboa o yoga e o bodyboard estavam fora de questão, mas acabei por perceber que se precisava de algo que me falasse mais ao coração e por isso optei por voltar a calçar as minhas sapatilhas e voltar a dançar. Não tem sido fácil, dada a minha forma física invejável, mas tenho-me sentido muito bem, o que já é todo um avanço.

Não sei se perceberam, mas basicamente aconteceu tudo até dia 8 de Fevereiro. Espalhei um pouco as coisas, com datas mais definitivas das mudanças, só para dar aquele efeito de que foi todo um mês de mudança quando na realidade tudo aconteceu numa semana. O resto do mês foi a processar isto tudo.

Sou uma pessoa com sentimentos ambivalentes em relação às mudanças: por um lado adoro-as, pelo crescimento e evolução que trazem (mesmo quando são más), por outro detesto-as porque sendo uma pessoa que adoro ter tudo organizado e sob controlo começo a sentir-me completamente desorientada e confusa e hiperventilo várias vezes ao dia.

 

 

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One Reply to “Fevereiro ou o mês da(s) mudança(s)”

  1. Muito bom texto! Obrigado por o colocares aqui.viagra

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