O stress que os livros de desenvolvimento pessoal me dão

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Um dos meus estilos de leitura preferidos, especialmente desde que atingi a maioridade, são os da secção de desenvolvimento pessoal, que frequentemente aparecem algures entre as prateleiras de psicologia e esoterismo (isto quando não estão todos na secção de esoterismo – poderia escrever um post inteiro sobre os nervos que isto me dá).

Já li muitos. Há uns que são uma tetra que acabo por folhear na viagem de regresso a casa, outros são livros que começam por mudar a minha forma de olhar para um problema e que acabam por me inspirar a dar a volta à vida toda. Gosto como a maior parte deles colocam o sucesso no trabalho e no esforço e não no talento inacto. Alguns ensinam-nos a trabalhar mais, outros a aprender mais, outros ainda a aproveitar melhor as horas do nosso dia. Há aqueles que nos inspiram a trabalhar mais e aqueles que nos relembram que a vida é muito mais que trabalho, uma viagem que deve ser aproveitada sob pena de tudo aquilo que conquistamos nos levar apenas a um lugar vazio.

Mas se estes livros me inspiram tanto, porque é que são também uma grande causa de stress? Como disse há umas linhas atrás, quando um destes livros me diz algo inspira-me a mudar a minha vida. Enquanto leio vou preparando planos na minha cabeça, formas como posso ter mais sucesso, aprender mais, ser melhor. O problema é que normalmente estes livros baseiam-se no nosso talento, em sermos capazes de conquistarmos o que sempre quisemos, o nosso emprego de sonho. Mas e quando não temos um emprego de sonho, um hobby preferido ou um plano defenido do que queremos na vida?

Nesse caso, o livro já não pode ajudar. Ele ajuda-nos sobre a premissa que sabemos o que queremos. Se não sabemos o que queremos isso é um problema que o livro já não vai resolver. E a páginas tantas, lá me encontro eu cheia de sabedoria e conselhos úteis, mas sem saber onde aplicá-los. A tentar perceber realmente o que quero fazer, qual é o meu sonho, a minha paixão, o meu talento. E não sai nada.

Mas quando estava a pensar neste post ocorreu-me que talvez não seja necessário sabermos qual é a paixão/sonho/talento da nossa vida. Se calhar temos que saber apenas qual é a paixão(ões)/sonho(s)/talento(s) que queremos cultivar naquele momento. Para mim, no próximo ano, vão ser as neurociências e a investigação e é nessas áreas que posso tentar aplicar tantas coisas que já li para tentar chegar mais longe nessa área. Se continuar nela, muito bem. Se não, já sei como explorar uma área nova onde me queira aventurar no futuro.

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